sábado, 14 de abril de 2012
Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2012 abre inscrição
Governo institui sistema para integrar pesquisas com nanotecnologia
Repórter da Agência Brasil
A nanotecnologia é considerada uma área estratégica para o desenvolvimento industrial e para o fornecimento de soluções que vão desde a produção de medicamentos até vestuários. O mercado internacional de nanotecnologia deverá atingir US$ 693 bilhões até o final deste ano e US$ 2,95 trilhões em 2015 (dado da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
A portaria associa o desenvolvimento da nanotecnologia ao Plano Brasil Maior criado pelo governo federal para aumentar o peso da atividade industrial no Produto Interno Bruto.
De acordo com o documento, o SisNano deve "estruturar a governabilidade" para as nanotecnologias; desenvolver um programa de mobilização de empresas instaladas no Brasil e de apoio às suas atividades; e otimizar a infraestrutura de pesquisa de 16 institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs) dedicados a estudos na área. A maior parte dos estudos está concentrada em São Paulo, especialmente na Universidade de São Paulo (USP).
MMA tem novos dirigentes e visão mais acadêmica
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, empossou, nesta terça-feira (10) três novos integrantes de sua equipe. Na Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF), o biólogo e professor da Universidade de Brasília Roberto Brandão Cavalcanti; na Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (SMCQ), Carlos Augusto Klink, também biólogo de formação e ex-funcionário do Banco Mundial, e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o engenheiro agrônomo Roberto Ricardo Vizentin. A ministra lembrou que a posse confere um salto de qualidade na agenda ambiental, reforçando a posição de protagonista do Brasil nesta questão.
A ministra recomendou a Vizentin que informações ambientais a serem usadas na definição das futuras áreas de exploração de petróleo e gás devem ter caráter científico. Izabella Teixeira defendeu a associação com universidades brasileiras para estes levantamentos. "Precisamos trabalhar com excelência. As informações não vão ser produzidas por empresas de consultoria, mas têm que acontecer a partir de processos técnicos e científicos robustos, com redes de universidades que possam gerar esta informação", disse.
As áreas de meio ambiente e de minas e energia passaram, a partir de agora, a ser responsáveis pela elaboração de estudos sobre exploração de petróleo e gás, segundo portaria conjunta dos Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia. O objetivo da portaria é identificar impactos socioambientais e classificar as áreas como aptas ou não aptas para as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural.
"É esta casa (ICMBio) que tem que definir que critérios são estes, quais são as áreas sensíveis, quais as áreas prioritárias de conservação, onde há sobreposição e mediação de conflitos. Essa casa trabalha pouco com conflitos e tem que ter técnicos", afirmou Izabella Teixeira.
Segundo a ministra, durante reunião com a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Magda Chanbriand, em Brasília, as duas áreas começaram a definir ações conjuntas. "Vamos trabalhar uma agenda ambiental. Já temos definidas questões de licenciamento e de áreas de gestão de acidentes. Agora estamos avançando para o monitoramento e planejamento das concessões", explicou.
Izabella Teixeira também cobrou do novo presidente do ICMBio a revisão de modelos de concessões utilizados em áreas protegidas do País. Segundo ela, é preciso melhorar os sistemas de uso público das unidades de conservação (UCs). "Temos que inovar nos modelos de concessão de serviços. É inaceitável termos mais de 300 UCs federais e que menos de 1% da população tenha acesso a estas unidades".
Roberto Vizentin disse que assume o instituto com outros desafios, como a ampliação de áreas protegidas no País e a regularização fundiária nessas regiões. "Nas unidades que não permitem a permanência das pessoas precisamos desapropriar, indenizar e realocar. Esse é um passivo muito grande. A primeira medida que vou adotar é levar políticas públicas para áreas de preservação e entorno. Não podemos mais aceitar Brasil como potencia econômica e não ter energia, escola e saúde nas unidades de conservação. Aquelas pessoas que vivem e cuidam da riqueza do País vivem na pobreza hoje", disse o novo presidente do Instituto Chico Mendes.
(JC com informações da Agência Brasil e Ascom do MMA)
Tome Ciência: Burocracia x Ciência
Um exemplo de dificuldades burocráticas que quase impediu o Brasil de desenvolver a primeira linhagem de células tronco nacionais: um líquido especial, que vem do Canadá e precisa ser conservado numa temperatura de menos 73 graus, ficou retido em pleno calor da Alfândega do Rio, obrigando os cientistas a fazerem um revezamento durante dias para levar gelo seco para preservar o produto até conseguir liberar a importação. Sem esse líquido, o "emitízer", era impossível desenvolver as pesquisas.
Neste caso os pesquisadores acabaram encontrando uma solução criativa ao criar uma nova substância sensível, o "mêizer", que custou um quarto do preço da substância importada. Mas nem sempre é assim neste jogo entre burocracia e ciência: pesquisadores narram casos de aparelhos danificados, amostras congeladas derretidas e dificuldades de contratação de pessoal, entre muitos outros. Por isso eles defendem mudanças na burocracia que atravanca o progresso da ciência.
Participantes - João Ramos Mello Neto, mestre e doutor em física, com pós-doutorados no exterior, é professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Secretário da regional Rio da SBPC, parceira do programa, representou a presidente Helena Nader, impedida de estar presente por um compromisso de última hora. Carlos Alberto Marques Teixeira, engenheiro com mestrado em economia e gestão empresarial, se especializou em tecnologias de gestão da produção e é coordenador geral da diretoria regional do Rio de Janeiro e diretor substituto do Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Jerson Lima Silva, formado em medicina, com mestrado e doutorado no Instituto de Biofísica, chefia o Laboratório de Termodinâmica de Proteínas e Vírus da UFRJ, onde também dirige o Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear de Macromoléculas. É também diretor científico da Faperj. Lucia Carvalho Pinto de Melo, graduada em engenharia química, com mestrados em física e em energia e meio ambiente, acabou especializando-se em planejamento e políticas de ciência. Presidiu, de 2005 a 2011, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). É pesquisadora titular da fundação Joaquim Nabuco, em Pernambuco e integra o Grupo de Trabalho da SBPC para mudanças nos marcos legais.
Confira os canais que transmitem o Tome Ciência:
- Na RTV Unicamp, da Universidade Estadual de Campinas (canal 10 da Net Campinas), às 15 horas dos sábados, 21 horas dos domingos, às 15 horas das terças e às 24 horas das quintas-feiras, além da internet (www.rtv.unicamp.br).
- Na TV Alerj, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, às 20 horas dos domingos, com reprises às 20,30 horas das quintas, por satélite (Brasilsat - B4 at 84° W / taxa de símbolos = 3,0 MSps / frequência Banda-C = 3816,0 MHz / FEC = ¾ / frequência banda-L = 1334,0 MHz / polarização = horizontal), pela internet (www.tvalerj.tv) e pelos sistemas a cabo das seguintes cidades do estado: Angra dos Reis (14), Barra Mansa (96), Cabo Frio (96), Campos dos Goytacazes (15), Itaperuna (61), Macaé (15), Niterói (12), Nova Friburgo (97), Petrópolis (95), Resende (96), Rio de Janeiro (12), São Gonçalo (12), Teresópolis (39), Três Rios (96) e Volta Redonda (13)
- Na TV Ales, da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (canal 12 da Net), às 17 horas dos sábados e domingos, com reprises durante a programação.
- Na TV Assembleia, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (em Campo Grande pelo canal 9, em Dourados pelo canal 11, em Naviraí pelo canal 44 e internet - (www.al.ms.gov.br/tvassembleia), às 20 horas dos sábados, com reprises durante a programação.
- Na TV Assembleia do Piauí, às 12 horas dos sábados e às 20 horas dos domingos, pelo canal aberto(16) em UHF, em Teresina, e nas reprodutoras de 22 municípios do Piauí e um do Maranhão, além do satélite (Free-to-Air FTA em modo aberto - Satélite NSS 10 (Starone C2) ou AMC-12 Banda C - Posição orbital dos 37,5º Oeste [W] - Frequência: 3831 - Polarização: Horizontal SR 2893 e FEC ¾).
- Na TV Câmara Angra dos Reis, da Câmara Municipal de Angra dos Reis (canal 14 da Net e internet), às 19 horas das quartas-feiras, com reprises durante a programação.
- Na TV Câmara, da Câmara Municipal de Bagé (canal 16 da Net) durante a programação e no horário fixo das 20 horas das quintas-feiras.
- Na TV Câmara Caxias do Sul, da Câmara Municipal de Caxias do Sul/RS(canal 16 da Net) e pela internet (www.camaracaxias.rs.gov.br), às 12 horas dos sábados, com reprises às 12 horas dos domingos, 16 horas das segundas, 16 horas das terças, 16 horas das quartas, 16 horas das quintas e 20:15 das sextas-feiras.
- Na TV Câmara de Jahu, da Câmara Municipal de Jaú/SP, transmitida pelo canal 99 da Net, pela internet (www.camarajau.sp.gov.br) e pelo sinal aberto digital 61.4, às 21 horas dos sábados e 14 horas dos domingos.
- Na TV Câmara de Lavras, da Câmara Municipal de Lavras/MG, transmitida pelo canal 15 da Mastercabo, às 18 horas dos sábados e domingos.
- Na TV Câmara Pouso Alegre, da Câmara Municipal de Pouso Alegre/MG, transmitida em sinal aberto de TV Digital (59) e pelo canal 21 da Mastercabo, sempre às 18,30 horas das sextas, com reprises durante a programação.
- Na TV Câmara de São Paulo, da Câmara Municipal de São Paulo (canal 13 da NET, 66 e 07 da TVA), às 13 horas dos domingos e 15 horas das segundas, com reprises durante a programação.
- Na TVE Alfenas, afiliada da Rede Minas, em canal aberto (2) e no cabo (8) em Alfenas e por UHF aberto nas cidades de Areado (54) Campos Gerais (23) e Machado (31), além do site www.tvalfenas.com.br, sempre às quintas, a partir das 17 horas.
- Na TV Feevale, da Universidade Feevale de Novo Hamburgo/RS (canal 15 da Net), às 9 horas das terças e quintas-feiras, com reprises durante a programação.
- Na TV UFAM, da Universidade Federal do Amazonas (canal 7 e 27 da Net), com estréia semanal às 16 horas dos sábados e reprises durante a programação.
- Na TV UFG, da Universidade Federal de Goiás, transmitida em canal aberto (14), aos sábados, às 15 horas.
- Na TV UFPR, da Universidade Federal do Paraná, pelos canais 15 da Net e 71 da TVA, às 17 horas dos sábados. Os programas ficam à disposição (on demand) em www.tv.ufpr.br.
- Na TV Unifev, do Centro Universitário de Votuporanga/SP, transmitida em canal aberto (55) UHF para mais 25 municípios da região, nos fins de semana, com estréias aos sábados, às 18 horas, e reprises às 12 horas dos domingos.
- Na TV Unifor, da Universidade de Fortaleza, transmitida pelo canal 4 da Net, nos dias ímpares dos meses ímpares e dias pares dos meses pares, sempre nos horários de 10.30, 15,30 e 22.30 horas.
- Na TV Univap, da Universidade do Vale do Paraíba, com duas exibições diárias em horários rotativos, sempre nos canais a cabo 14 das cidades de São José dos Campos, Jacareí e Taubaté.
- Na UNOWEBTV, da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (SC) - UNOCHAPECÓ, mantida pela Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste - FUNDESTE, transmitida pelo canal 15 da Net local e pela internet (www.unochapeco.edu.br/unowebtv), com estréia às 21 horas dos sábados e reapresentações às terças e quintas-feiras às 21 horas.
Além disso, o programa pode ser visto a qualquer hora no site: http://www.tomeciencia.com.br. O programa, apresentado pelo jornalista André Motta Lima, tem o apoio de pauta das sociedades vinculadas à SBPC, além de um Conselho Editorial de cientistas.
(Informações do Tome Ciência)
Nota pública: Sobre os resultados da reunião entre o Ministério da Fazenda e a Comissão Especial do PNE
O encontro a portas fechadas realizado na terça-feira (10), na sede do Ministério da Fazenda, entre o ministro Guido Mantega e os parlamentares da Comissão Especial responsável pela análise da proposta do novo Plano Nacional de Educação (PNE), infelizmente, seguiu o roteiro previsto: a área econômica do Governo Federal manifestou concordância com a intenção do relator Angelo Vanhoni (PT-PR) de determinar que o País alcance, em dez anos, um volume de investimento público direto em educação equivalente a 7,5% do PIB.
Infelizmente, a única boa notícia da reunião foi a certeza de que o conceito de investimento público direto (recurso público investido em educação pública) está incorporado pelo Executivo Federal e deve figurar no novo texto substitutivo, que deverá ser divulgado nos próximos dias.
Vale lembrar que, em campanha eleitoral, ao receber no dia 15 de outubro de 2010 a Carta-compromisso pela Garantia do Direito à Educação de Qualidade, a então candidata, Dilma Rousseff, se comprometeu a alcançar um patamar de investimento público em educação pública na ordem de 7% do PIB até o fim de seu mandato, ou seja, 2014. Promessa essa, reiterada em debates televisivos.
Considerando que o PNE é uma lei decenal e diante da necessidade de oferta de educação pública de qualidade para todos e todas, não é aceitável que o patamar assumido por Dilma como compromisso do seu mandato praticamente signifique o teto de investimento público em educação para a década.
Desse modo, frente aos decepcionantes, mas previsíveis, resultados alcançados no encontro e diante da necessidade de celeridade na tramitação do PNE, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação considera imprescindível que a Comissão Especial convoque o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que seja feito o debate público sobre o tema, ou leve o PNE a voto.
Caso a matéria siga imediatamente a voto, o que consolida mais um capítulo de descompromisso da área fazendária com as políticas sociais - manifesto na recusa de Mantega em enfrentar o debate público na arena política democrática -, a Campanha aposta na coerência dos parlamentares que, entre as 3364 emendas (2915 ao texto original e 446 à primeira proposta de substitutivo do relator) apresentadas ao projeto de novo Plano, apenas uma defendeu um patamar inferior aos 10% do PIB.
É importante ressaltar que a quase unanimidade da tese tem amplo respaldo técnico: os estudos mais elaborados e cuidadosos sobre o tema reiteram a necessidade desse volume de investimento. Os três trabalhos mais reconhecidos, expostos recentemente em Reunião Técnica da Comissão Especial do PNE no dia 20 de março, foram elaborados pela Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), pelo professor Nelson Cardoso do Amaral (Universidade Federal de Goiás) e pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, sendo que este último estudo foi reconhecido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Comunicado 124 de dezembro de 2011. Inclusive, em seu texto, o Ipea apresenta diversas alternativas para o financiamento do PNE. Em outras palavras, qualquer decisão de aprovar meta de investimento público divergente de um patamar de 10% do PIB para a educação pública não refletirá uma preocupação educacional, que é aquela que deve balizar a Lei do PNE.
Confiante pelas experiências advindas das jornadas para a construção e regulamentação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação), quando estabeleceu profícua parceria com o parlamento resultando em inúmeras conquistas educacionais, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação conta com a coerência e coragem dos parlamentares para a votação do novo PNE a partir de suas convicções e da preocupação com a garantia do direito à educação pública de qualidade para todos e todas.
Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Ação Educativa
ActionAid
CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)
Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)
CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente
Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)
Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)
Raupp discute desafios do MDL com representantes do setor elétrico
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, recebeu nesta quarta-feira (11), em Brasília, representantes do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMase). O grupo apresentou as preocupações e as perspectivas do segmento quanto ao processo de avaliação de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento criado pelo Protocolo de Quioto para auxiliar os países no processo de redução de emissões de gases de efeito de estufa.
A reunião fez parte de uma série de encontros promovidos pelo fórum com representantes de órgãos brasileiros integrantes da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima para sensibilizar sobre a necessidade de celeridade na análise de projetos.
O coordenador do Fmase, que representa 19 associações, Marcelo Moraes, falou sobre a apreensão quanto à aproximação do final do prazo estabelecido pela Comunidade Europeia para a aquisição de créditos de carbono. Até dezembro, as empresas deverão ter seus projetos avaliados pelo governo brasileiro e validados, posteriormente, por entidades certificadoras reconhecidas pelas Organizações das Nações Unidas (ONU).
"Se o projeto brasileiro perder essa oportunidade, cria-se um desequilíbrio econômico-financeiro nos contratos", sustentou. "São 200 projetos para serem apreciados até o final desse ano e, desses, 160 estão ligados ao setor de energia", acrescentou o deputado Sibá Machado (PT-AC).
A diretora de Políticas e Programas Temáticos do MCTI, Mercedes Bustamante, da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, ressaltou critérios utilizados no processo de análise, como o desenvolvimento sustentável e regional, além da questão do clima e qualidade dos projetos. "É um processo rigoroso, que agrega valor ao certificado. O Brasil é reconhecido internacionalmente por isso", disse.
Conforme orientação dos representantes do MCTI, os questionamentos serão encaminhados para discussão na Comissão Interministerial de Mudanças Global do Clima. "O ministério é receptivo, vai trazer contribuições e cooperar para acelerar o processo, mas a comissão é soberana", ponderou o ministro Raupp.
(Ascom do MCTI)
Catadores discutem o futuro às vésperas do fim de lixão
Os catadores do Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, não ficaram satisfeitos com a decisão da prefeitura do Rio de antecipar o fechamento do lixão para o dia 23. A data original era 5 de junho. Para o presidente da Associação dos Catadores do Aterro de Gramacho, Sebastião Santos, a decisão foi equivocada porque ainda não foram implementadas as medidas para minimizar os impactos sociais decorrentes do fechamento do lixão.
Sebastião Santos disse que o fundo de R$ 1,4 milhão, criado para garantir renda mínima aos 1,8 mil catadores de Gramacho e financiar políticas de inclusão, ainda não saiu do papel. "Não existe um centavo desse fundo depositado, tampouco há uma conta aberta". O fundo deve garantir aos catadores de Gramacho uma indenização pelo tempo que trabalharam no local e recursos para capacitação em reciclagem. Os catadores também serão incorporados ao Programa Bolsa Família.
Futuro - O clima entre os catadores é de apreensão. Muitos pensam em mudar de profissão com o dinheiro do fundo criado para indenizar quem ainda vive ou se dedicou à atividade nos últimos anos. Quem ficar terá que se adaptar aos novos tempos, longe dos montes de lixo. Líderes dos catadores estão se unindo em cooperativas para recolher recicláveis previamente separados em grandes empresas da Baixada. A ideia é começar o projeto por Duque de Caxias, mas a proposta esbarra na falta de tradição da cidade em coleta seletiva.
Os catadores já foram mais de três mil, que se revezavam em busca de latinhas, plásticos, papéis e outros materiais recicláveis em meio a até dez mil toneladas de lixo descartadas diariamente. Hoje, entram 500 por dia, e muitos falam em deixar a profissão de vez.
"Se não fosse pelos catadores, Gramacho teria fechado há muito tempo, por não ter mais onde despejar lixo. A coleta seletiva em Duque de Caxias deveria ter começado antes de o aterro fechar. Por isso, prefiro receber a indenização e abrir um negócio próprio", disse Wanderley Pereira da Costa, de 45 anos.
Os catadores negociam com a Novo Gramacho Energia Ambiental, que explora o gás metano captado no aterro, a antecipação do pagamento - em vez de o total de mais de R$20 milhões ser liberado em 14 anos, seis parcelas seriam quitadas ainda em 2012. As indenizações estão previstas no contrato de concessão do biogás assinado entre a Comlurb e a empresa em 2008.
O dinheiro das indenizações será investido nas cooperativas ou para garantir o sustento de quem abandonar a profissão. Mas não há prazos para os recursos serem liberados. Há problemas legais na montagem das cooperativas. Os catadores divergem até sobre o número de pessoas que teriam direito ao dinheiro. Um cadastro organizado pela União listou 1.914 beneficiários. Mas uma comissão formada por 11 catadores vai rever essa relação. "Muita gente que se cadastrou apenas mora no bairro. Na verdade, cerca de 1.400 pessoas realmente têm direito ao dinheiro", estima uma das líderes dos catadores, Roberta Alves de Oliveira, a Docinho.
No contrato com a Comlurb, parte dos recursos da venda de créditos de carbono com o reaproveitamento ou a queima do gás metano deve ser destinada ainda a obras de infraestrutura em Gramacho. Isso inclui o projeto de transformar o antigo aterro num parque ecológico.
A Novo Gramacho ainda negocia com o Banco do Brasil um empréstimo a juros baixos para pagamento das indenizações. Quando os recursos forem liberados, o pagamento ainda dependerá de os catadores superarem problemas burocráticos. Em meio ao impasse e tentando se antecipar a protestos contra o fechamento do aterro já prometidos por catadores, o prefeito Eduardo Paes decidiu ontem intervir no processo.
"Durante seis meses, a prefeitura vai pagar uma bolsa de R$500 para aqueles que as associações indicarem. Acreditamos que será um tempo suficiente para os catadores se organizarem", disse o secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório.
Desativado há um ano, com a redução progressiva da entrada de caminhões, o aterro recebe hoje, do Rio e de municípios vizinhos, apenas 25% (2,5 mil toneladas) dos resíduos do passado. A queda na quantidade de lixo provocou reflexos no bolso dos catadores. A garimpagem no lixo já rendeu até R$3 mil mensais para cada catador. Hoje, eles não conseguem mais de R$800 pelos materiais recicláveis.
De acordo com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), com o fechamento do aterro sanitário, a nova Central de Tratamento de Resíduos (CTR), em Seropédica (também na Baixada Fluminense), que começou a funcionar no dia 20 de abril, vai receber gradativamente os resíduos que eram destinados ao lixão.
(JC com informações da Agência Brasil e Agência Globo)
Debatedores pedem mais verbas federais para pagamento de professores
O valor, reajustado anualmente, é determinado pela lei do piso (11.738/08). Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) divulgado no último dia 5 de abril, pelo menos 13 estados não pagam o valor previsto.
Estados e municípios reclamam da falta de recursos para o cumprimento da lei. "Estamos chegando a um conflito: ou os estados vão cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal ou eles vão cumprir a lei do piso. O gestor não terá como resolver isso", alertou o secretário de educação de Santa Catarina e representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).
A lei estabelece que a União deverá complementar os recursos de estados e municípios que comprovarem não terem verbas suficientes para o cumprimento do piso. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, contudo, a burocracia para alcançar esse dinheiro é impeditiva. "A complementação prevista em lei é só para inglês ver. O Ministério da Educação não permite esse repasse efetivamente", defendeu.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) reconheceu que há problemas na forma de concessão das verbas complementares pela União. "Os critérios que o MEC adota são muito rígidos e deveriam ser mais flexíveis. Para tanto, o caminho é o debate. O que temos que garantir é que o País cuide da sua educação que, para ser de boa qualidade, passa inexoravelmente por um professor bem remunerado", disse.
As declarações foram feitas durante audiência pública da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público realizada ontem (10). O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entidade vinculada ao Ministério da Educação, foi convidado, mas não compareceu nem enviou representante. A deputada Flávia Morais (PDT-GO), que requereu o debate, levantou a possibilidade de realizar uma audiência sobre o tema no próprio Ministério da Educação. Ela também cogitou fazer nova audiência convocando representante do órgão. Nesse caso, a presença do ministério na Câmara seria obrigatória.
Descentralização - Segundo a diretora de comunicação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Márcia Adriana de Carvalho, que participou do debate, a cada R$ 1 gasto em educação no País, apenas 20 centavos provêm da União. O restante (41 e 39 centavos, respectivamente), está a cargo dos estados e dos municípios. "Se, por um lado, o gestor deve entender que a remuneração dos professores deve ser uma prioridade, por outro, o governo federal, que hoje arrecada a maior parte, deve descentralizar esses recursos para que estados e municípios possam cumprir com suas responsabilidades", ponderou Flávia Morais.
Para o presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, o aumento do salário dos professores depende da colaboração de todos os entes. "O governo federal precisa por a mão no bolso. Os critérios de complementação não podem ser tão restritos. Mas os prefeitos e governadores também têm de abrir a mão, deixar de desperdiçar recursos em outras áreas e garantir que os professores estejam em sala de aula", defendeu.
Atividade extraclasse - Outro tema polêmico na lei do piso é a carga horária máxima que o professor deve cumprir dentro de sala de aula. Segundo a norma, as atividades extraclasse devem somar pelo menos um terço da jornada total. De acordo com o levantamento da CNTE, no mínimo 17 estados não cumprem essa regra.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, chegou a afirmar que nenhum estado ou município cumpre integralmente a Lei 11.738/08. "O País soma um milhão de professores. Se todos eles tiverem um terço de sua carga fora de sala de aula, teremos de contratar outros 300 mil docentes. Tudo isso deve ser contabilizado no custo da lei do piso", afirmou.
Apesar da alegação de falta de verbas pelos estados e municípios, o presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, pediu prioridade para educação nos gastos públicos. "É preciso acertar as contas públicas levando-se em conta as necessidades da população. Tem de ter responsabilidade? Sim. Mas tem de ter também salário decente para os professores", criticou.
PNE - Em reunião ontem (10) com parlamentares da Comissão Especial do Plano Nacional da Educação (PNE), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve a postura já conhecida do governo federal de aumentar dos atuais 5% para 7,5% o investimento em educação do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o deputado federal Newton Lima (PT-SP), o titular da pasta disse ainda que há uma chance de o valor ser reavaliado nos próximos cinco anos.
Apesar da cobrança de um investimento de 10% feita por entidades ligadas ao tema, o relator da proposta na Câmara, o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), disse estar convencido de que a quantia proposta "fará uma revolução na educação". O encontro a portas fechadas, porém, foi criticado. "Mostra claramente a restrição do governo em debater o assunto. Se ele vai dizer que não tem como aumentar a quantidade do investimento do PIB, isso deveria ser dito publicamente", defendeu o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.
(JC com informações da Agência Câmara e Correio Braziliense)
Dilma anuncia parceria tecnológica entre ITA e MIT
A presidente Dilma Rousseff dobrou a aposta na importância da inovação tecnológica para o desenvolvimento do Brasil, ao visitar o Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos maiores centros de pesquisa do mundo. Ela presidiu a assinatura de um convênio com o MIT para a montagem, em seis meses, de um centro de inovação no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). "Quero me comprometer publicamente a dar suporte a esta parceria com o MIT, que hoje muda de patamar", disse Dilma.
O ITA tem 120 estudantes na graduação. Já o MIT possui dez brasileiros na graduação e 40 na pós-graduação. A maioria deles estava ontem (10) reunida para cumprimentar a presidente Dilma. Os irmãos gêmeos André e Flávio Calmon, de 27 anos, ambos doutorandos, ouviram de Dilma um pedido para que voltassem para o Brasil. "Respondemos que esta é a nossa vontade. Queremos fazer diferença no Brasil, seja na pesquisa ou na indústria", disse André.
O ITA quer contar com a parceria do MIT em pesquisas que pretende desenvolver em um centro de inovação que a instituição brasileira planeja construir em São José dos Campos, interior paulista. O vice-reitor do ITA, Fernando Sakane, espera que, em um ano, o instituto brasileiro tenha mais definições sobre o funcionamento do centro de inovação, cuja criação serviria para desenvolver novas empresas, estimular o empreendedorismo de alunos e melhorar o ensino de Engenharia.
Harvard - O Brasil tem, a partir de agora, vaga permanente garantida em Harvard para um professor visitante por ano. O acordo que institui a medida foi assinado por representante da instituição e pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, ontem (10), no campus da universidade em Cambridge. A seleção dos professores será feita pela Capes.
"Queremos construir um Brasil do futuro e uma parte dele pode passar por Harvard", afirmou na ocasião a presidente Dilma Rousseff. Para ela, "as relações no campo da educação, ciência e tecnologia não podem ter fronteiras". Para Drew Faust, presidente de Harvard, este é um momento de grandes possibilidades para a educação superior nos dois países. "Trabalharemos para sustentar o progresso da educação", disse.
Na mesma oportunidade, a Capes firmou novo convênio com Harvard e com a Fundação Lemann para a ampliação do programa Ciência sem Fronteiras. Os acordos têm o objetivo de estabelecer projetos conjuntos de pesquisa, parcerias universitárias, intercâmbio de pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, programas de treinamento de professores, formação em tecnologias educacionais, e de professor visitante.
Após o ato de assinatura dos acordos, a presidente Dilma Rousseff proferiu palestra na Harvard Kennedy School of Government em que abordou assuntos referentes à educação em todos os seus níveis. "Com nossos esforços para reduzir a desigualdade na educação, o Brasil seguirá na trajetória para estar à altura dos desafios que se apresentam".
(JC com informações da Agência Globo e Ascom da Capes)http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81938
MCTI e INCTs discutem ampliação da difusão do conhecimento sobre a Nanotecnologia
A Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec) realizou ontem (10), uma reunião com os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), ligados ao desenvolvimento da Nanotecnologia no Brasil, para ampliar a difusão do conhecimento coletivo entre os órgãos e dar início a um plano de divulgação das ações.
No total, 16 institutos, todos ligados à Nanotecnologia, enviaram seus principais pesquisadores e equipes que apresentaram propostas de ações para o plano de divulgação. Na abertura das atividades, o secretário Adalberto Fazzio ressaltou o principal objetivo do evento. "A proposta é ter contato com o que os institutos estão desenvolvendo para, em seguida, começar a estabelecer um material de divulgação da Nanociência e Nanotecnologia para o público em geral, jovens estudantes e empresariado brasileiro".
Na oportunidade, Fazzio comentou a Portaria nº 245, publicada na segunda-feira (9), que instituiu o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNANO), no âmbito da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti), associado ao Plano Brasil Maior. "O SisNANO é uma portaria que tem uma governança sobre o sistema Nano, que define quais são os laboratórios estratégicos, aqueles que fazem parte das unidades de pesquisa do MCTI, e os laboratórios associados que queiram se engajar dentro do programa e da política da Encti, na área de Nanotecnologia". O secretário observou que esses laboratórios terão que definir um tempo a ser aberto para a comunidade utilizar e participar nas áreas definidas como prioritárias.
Ele salientou que os laboratórios vinculados ao SisNANO terão prioridade. "Isso funcionará a parte das ações do MCTI. Mas certamente os laboratórios que estiverem vinculados e associados a estes programas terão prioridade com base em critérios, expertise, competência, mérito e região de atuação". É importante destacar ainda que, em breve, será anunciado o Comitê Executivo de Nanotecnologia, com participação de nove ministérios.
(Ascom do MCTI)
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Mudar a abordagem sobre o desenvolvimento sustentável, artigo de Mark Stafford Smith
Enquanto o mundo avança rumo à próxima grande cúpula ambiental, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Rio de Janeiro, Brasil, em junho, autoridades e políticos pedem novas avaliações de nossa situação ecológica global.
Em janeiro, por exemplo, o painel sobre sustentabilidade global promovido pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, recomendou a elaboração de um "relatório periódico com a visão global do desenvolvimento sustentável, que reúna as informações e avaliações hoje dispersas entre as instituições e as analise de forma integrada".
Eis uma resposta à pesquisa que mostra como a sociedade global está cada vez mais interligada e interdependente. O efeito cascata sobre a disponibilidade de terras e a segurança alimentar gerado pela mudança para os biocombustíveis, por exemplo, demonstra como as ações para combater as emissões de dióxido de carbono podem assumir outros objetivos.
Mas, nestes tempos difíceis, pode a comunidade científica fortemente pressionada apoiar novo processo de avaliação? E é isso, realmente, o que os formuladores de políticas precisam da pesquisa?
Os cientistas já estão ocupados falando em nome dos formuladores de políticas. Há o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC); a Avaliação Ecossistêmica do Milênio; as avaliações das águas internacionais, montanhas e água fresca; a Avaliação Marítima Global; e a nova e importante plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas. Cada avaliação desempenha papel crucial na consolidação dos conhecimentos sobre os sectores específicos. Mas como ligar os pontos?
Em muitas áreas, as taxas de mudanças ambientais globais se aceleram, mas os processos decisórios se arrastam com baixa velocidade. Não há certeza de que outra avaliação convencional irá catalisar uma ação mais rápida. Assim, embora a comunidade científica deva se apoiar numa análise integrada, ela precisa ser feita de modo diferente.
Primeiro, o foco deve mudar da documentação dos problemas para o apoio a soluções. Isso requer interação forte e contínua entre os que trabalham em pesquisa aplicada estratégica e os que decidem na política, na indústria e na sociedade civil, adotando tanto decisões específicas (como o modo de enquadrar um acordo particular de comércio), quanto decisões de mais amplo contexto (interações entre o bem-estar nacional, os resultados ambientais e os fluxos econômicos).
Em segundo lugar, o processo deve promover respostas em todas as escalas, desde os governos nacionais e grupos regionais até as instituições da ONU. As soluções adequadas diferem de região para região, sejam elas baseadas em tecnologias específicas para a produção de energia ou o sequestro de carbono, ou em análises que abordem, em conjunto, água, energia e alimentos.
Por fim, o processo deve funcionar em todos os setores, através da análise simultânea, por exemplo, do impacto de uma política de migração sobre o meio ambiente e o bem-estar social. Para fazer isso de modo abrangente, a pesquisa deve também tornar-se mais integrada, abarcando as ciências naturais e sociais e as humanidades, a fim de que se entendam as implicações das mudanças.
Como isso poderia ser feito? Duas propostas já apresentadas para a Rio+20 podem ajudar: por meio do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDC, na sigla em inglês), diretamente subordinado à Assembleia Geral da ONU, e por meio de um conjunto de objetivos em desenvolvimento sustentável (SDGs).
A UNSDC poderia realizar análises estratégica da sustentabilidade global, bem como estabelecer e coordenar painéis de decisões específicas - pequenos grupos de trabalho mistos que incluam membros não-científicos, nomeados para relatar com rapidez questões específicas. Tais câmaras trabalhariam em todos os setores, de forma independente, mas pertenceriam ao conjunto de organismos mundiais como a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a Organização Mundial do Comércio, o Programa da ONU para o Meio Ambiente e o Banco Mundial.
Tal modelo deve ser replicado nos níveis regional e nacional, impulsionado pelas necessidades locais, com apropriação local. Uma coordenação lúcida do UNSDC garantiria boa comunicação e intercâmbio de ideias, e asseguraria que as atividades em uma região não levariam a resultados globais perversos - levando talvez as pessoas a se mudarem, distorcendo os preços ou gerando o uso excessivo de recursos.
Os SDGs poderia garantir que essas atividades integrem os três pilares da sustentabilidade - ambiental, econômica e social -, em vez de lidar com cada uma isoladamente, como fazem as metas atuais da ONU para o Desenvolvimento do Milênio. Os SDGs devem ligar os sectores, visando, por exemplo, melhorar o bem-estar sem danos ao meio ambiente, garantir a segurança alimentar sem comprometer a subsistência local e desenvolver ambientes urbanos habitáveis sem aumentar o uso de recursos.
Todas essas obras se baseiam em tendências existentes nas atividades de órgãos como o IPCC, mas precisamos de uma mudança rápida na evolução da relação entre a ciência e a tomada de decisões.
Países como a Austrália já falam em "sistemas de inovação nacionais", que abrange a totalidade de seus esforços de pesquisa pura e aplicada e as interações destes com a tomada de decisões na indústria e no governo. É tempo de adotar um sistema de inovação global para apoiar uma tomada de decisões melhor coordenada e mais ágil sobre a sustentabilidade global em todas as escalas. Muito trabalho precisa ser feito com relação aos detalhes. Mas, se a ciência deve ser verdadeiramente útil à sociedade, é por isso que devemos lutar.
*Tradução de José Monserrat Filho
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
lançamento do Ano Internacional da Química
27 e 28 de janeiro, 2011, UNESCO, Paris
sábado, 18 de dezembro de 2010
Transplante elimina Aids
| Paciente fica livre do HIV após receber células-tronco em tratamento para leucemia Um transplante de células-tronco adultas, precursoras de células do sangue, recebido por um paciente com leucemia e Aids acabou por curá-lo não só do câncer como da infecção pelo HIV, anunciaram médicos alemães. Embora este possa ser o primeiro caso em que o vírus foi completamente eliminado do organismo, ele tem particularidades que o tornam único, alertam especialistas. Além disso, o método é considerado muito arriscado para ser adotado como procedimento padrão, mas indica caminhos que podem ser usados para encontrar uma cura para a doença. O caso foi relatado há dois anos, mas só agora a eliminação foi confirmada. - É interessante comprovar que medidas extraordinárias podem curar alguém com o HIV. Mas o procedimento é muito arriscado para se tornar padrão - afirma o médico Michael Saag, da Universidade de Alabama, nos EUA, e conselheiro da HIV Medicine Association. O paciente, um americano na faixa dos 40 anos, vive em Berlim e, em 2007, recebeu um transplante feito a partir de células-tronco adultas retiradas de um doador que, além de compatível, tinha uma mutação genética que lhe conferia uma resistência natural contra o HIV. Agora, três anos depois, ele não tem sinais nem da leucemia nem do vírus. Transplantes de células-tronco adultas têm sido usados no lugar dos tradicionais transplantes de medula óssea no tratamento da leucemia. Antes de receber o sangue, o paciente teve seu sistema imunológico completamente destruído por radiação e quimioterapia. - As células do paciente que hospedavam o HIV foram destruídas e, ao ter seu sistema imune repovoado pelas células do doador, essas ainda por cima eram resistentes à infecção pelo vírus. Assim, o HIV não conseguiu infectar novas células e foi eliminado de seu organismo - explica o virologista Amilcar Tanure, do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ. Para Tanure, o caso é importante por provar que é possível curar a infecção pelo HIV, além de demonstrar que o vírus só infecta células do sistema imunológico dos doentes. Segundo ele, mesmo controlado pelo coquetel de remédios dado aos pacientes com o HIV, o vírus permanece escondido no corpo, associado ao genoma de células do sistema imunológico, ressurgindo depressa se o tratamento for suspenso. - São células como linfócitos e macrófagos que guardam memória, como no caso da imunidade conferida por vacinas - conta. - Não se sabia se a quimioterapia era capaz de matar todas elas. Além disso, havia a teoria de que o HIV podia infectar outros tipos de células do organismo que não as do sistema imunológico. Pelo jeito, isso não é verdade. De acordo com o virologista, o método que curou o americano não é prático nem seguro o bastante para ser usado de forma ampla. Ele lembra que pessoas sem grau de parentesco têm apenas uma chance em 10 mil de serem compatíveis para o transplante de células-tronco sanguíneas. Some-se a isso o fato de só uma em cada cem terem a mutação que dificulta a proliferação do HIV e as chances de o procedimento ser replicado caem para pelo menos uma em um milhão. Isso sem contar que o risco de mortalidade por complicações do procedimento é de aproximadamente de 5%. - Esse caso é muito particular. Ninguém vai ficar fazendo transplantes de células-tronco a torto e a direito para tratar o HIV - avalia. - Mas o achado abre caminho para pesquisas sobre como eliminar o HIV. Pode-se, por exemplo, desenvolver uma droga que só mate essas células latentes do sistema imunológico que abrigam o HIV. Associando ela ao tratamento antirretroviral, talvez se consiga eliminar o vírus em outros doentes. De qualquer forma, a descoberta é um alento para a comunidade científica ao mostrar não se está correndo atrás de uma miragem ao se tentar eliminar o vírus. (César Baima) (O Globo, 16/12) | |
Alemanha busca cientistas em todo o mundo para avançar
| Preocupada com o cada vez menor número de nascimentos no país e com a qualidade do ensino, a Alemanha está investindo para atrair jovens cientistas e se tornar uma das três potências científicas do mundo até 2020. A falta de profissionais pode chegar a 480 mil pessoas Conhecida por ter um rígido controle migratório, a maior economia da Europa está se abrindo a estudantes. Devido à baixa natalidade registrada desde os anos 1990, os alemães estão de olho em jovens cientistas de diversas partes do mundo, ao mesmo tempo em que investem para melhorar a qualidade do ensino básico e universitário. "Atrair cientistas é vital", afirmou a ministra da Educação e Pesquisa, Annete Schavan, durante a cerimônia de entrega do prêmio Talentos Verdes, uma das iniciativas de atração de pesquisadores estrangeiros. "A Alemanha precisa se abrir para o mundo e ter pesquisadores curiosos. Temos objetivos ambiciosos e queremos liderar a pesquisa no mundo", complementa. As metas para que o plano saia do papel são de médio e longo prazo. Se por um lado os investimentos em educação, ciência e tecnologia estão crescendo nos últimos anos e o governo estimula indústrias de ponta, com alto grau de conhecimento aplicado, como nanotecnologia e energias renováveis, por outro, problemas demográficos tornam a tarefa mais árdua. A dificuldade com a demografia se deve principalmente à baixa taxa de natalidade verificada no país. Lá, cada mulher tem, em média, 1,41 filho, contra 2,21 no Brasil. O número faz com que a reposição de estudantes seja pequena e a média de idade do país seja alta - 44 anos, contra 28,9 no Brasil. "Em dez anos, quando as atuais crianças se tornarem adolescentes, começaremos a sentir falta de trainees e depois de equipes qualificadas", alerta relatório do Ministério da Educação e Pesquisa. O quadro é agravado quando se olha para o número de jovens que deixam os estudos precocemente - 8% dos estudantes largam a escola antes de terminar o equivalente ao Ensino Fundamental, percentual considerado alto para padrões europeus. Dados do Centro de Pesquisa para a Economia Europeia prevêem que a Alemanha demandará entre 180 mil e 480 mil profissionais qualificados até 2014, devido ao envelhecimento da população e mudanças estruturais na economia. As áreas mais afetadas são matemática, informática, ciências naturais e tecnologia, principalmente em nível técnico. Segundo a Associação de Câmaras de Comércio da Alemanha, 50% das empresas relatam problemas para contratar mestres ou doutores. O diretor da Universidade do Instituto de Física Experimental da Universidade Técnica de Freiberg, Hans Möller, já sente na pele a falta de estudantes e profissionais. "Temos problemas sobretudo na Alemanha oriental, onde as pessoas preferem ir para o lado ocidental em busca de melhores empregos e qualidade de vida", relata. "Faltam estudantes, pesquisadores, pessoal de laboratório e técnicos." Em reação a isso, as empresas oferecem treinamentos internos (51% já possuem programas próprios) e contratam pessoas com mais de 55 anos. Mas, para Möller, essas medidas não bastam: "não vejo outra saída se não buscar gente talentosa em outros países". Competição - Para ultrapassar as barreiras postas ao desenvolvimento econômico, os alemães decidiram entrar na competição internacional por jovens talentos. Hoje, segundo dados recolhidos pelo instituto Hochschul-Informations-System (HIS), sob encomenda do Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão (DAAD), dos dois milhões de universitários no país, 240 mil são estrangeiros. A China lidera a lista de origem dos alunos, seguida por Turquia, França e Polônia. O Brasil ocupa a 26ª posição. Além disso, 8% dos professores de nível superior e 15% dos pesquisadores são estrangeiros. Já em cursos de doutorado, 20% dos estudantes são de outros países, o que deixa a Alemanha na 15ª posição no ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2009, havia 359 doutorandos brasileiros entre os alemães. A intenção é crescer, mas não há percentuais definidos. De 2008 para 2009, o número de estudantes estrangeiros na Alemanha cresceu 10%. O país, no entanto, ainda fica atrás dos países anglófonos na escolha feita por pesquisadores internacionais para trabalhar. As razões vão de prestígio (a universidade alemã mais bem colocada no ranking do jornal inglês The Times é a de Göttingen, na 43ª posição) a dificuldades com a língua. Não à toa, muitas universidades já oferecem cursos de pós-graduação em inglês e desenvolvem ações de marketing mundo afora. Bolsas - Do lado governamental, a oferta de prêmios e bolsas de estudos é crescente. "Premiamos a excelência em pesquisa, claro, mas sobretudo a criatividade. Com os prêmios, a Alemanha ganha visibilidade internacional. Os premiados podem voltar para completar seus estudos, porém o mais importante é desenvolvermos redes com o que há de mais avançado no mundo", afirma Reinhard Hüttl, diretor-executivo e científico do Centro de Pesquisas de Geociências da Alemanha, em Postdam. China, Brasil e Índia são os países prioritários no mundo em desenvolvimento. A brasileira Juliana Lima é uma das que entrou na rede alemã. Doutora em química pela Universidade de Campinas (Unicamp), ela foi uma das vencedoras do Prêmio Talentos Verdes em 2009 e agora faz seu pós-doutorado no Instituto Max Plank para Pesquisa de Polímeros. Atraída por uma bolsa de 3.200 euros mensais e condições de trabalho sem igual no Brasil, ela pensa em se estabelecer na Europa. "O laboratório da Unicamp não deve nada ao daqui, mas na Alemanha não há burocracia para se obter material e eles são mais abertos a trabalhos criativos", relata. Migração O Estado alemão busca também soluções no campo jurídico. A fim de atrair estudantes e pesquisadores para universidades e empresas, as rígidas regras de imigração foram flexibilizadas. A intenção é desestimular o retorno de pesquisadores qualificados a seus países - alguns governos incentivam os emigrados a voltar com altos rendimentos e promessas de melhores condições de pesquisa - e tornar a Alemanha um país mais atrativo para quem tem qualificação acadêmica. Estrangeiros formados em universidades germânicas têm um ano para buscar emprego no país e contam com ajuda de uma agência estatal para isso. Já para os pesquisadores, o salário necessário para ganhar um visto de residência permanente caiu de 86.400 para 64.000 euros anuais, valor considerado ainda alto pelos críticos. Também foram suspensas medidas de reserva de mercado, apesar de, em algumas áreas, a contratação de estrangeiros ainda estar vinculada à inexistência de mão de obra local. Ao mesmo tempo, o governo tem buscado fortalecer redes internacionais de pesquisa, a fim de economizar recursos e estar atento a pesquisas de ponta que estejam sendo feitas em qualquer lugar do mundo. Outro objetivo é manter pesquisadores alemães no país, uma vez que muitos vão principalmente para os EUA e a Inglaterra em busca de melhores oportunidades - cerca de 20 mil pesquisadores germânicos trabalham hoje no exterior. Crise não impede aumento de investimentos em educação A busca por melhorias na educação e no desenvolvimento da ciência na Alemanha não foi afetada pela crise financeira mundial. O governo federal, com apoio dos estados, lançou uma série de iniciativas nos últimos anos para estimular a pesquisa e a melhoria da qualidade educacional no país. Entre elas está o programa "Indo adiante por meio da Educação", de 2006. Voltada para melhorar a qualidade do ensino em todas as áreas do conhecimento e níveis, a iniciativa promete elevar os investimentos em educação para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015 (em 2007 era de 4,4%). Além dessa iniciativa, o segundo pacote de estímulo econômico, lançado no fim de 2008 para tentar recuperar a economia após o baque daquele ano, previa gastos de 8,6 bilhões de euros em 2009 e 2010 na reforma de jardins de infância, infraestruturas de escolas, instituições de ensino superior e museus. O objetivo é melhorar a qualificação dos alemães. Até 2015, o governo federal e os estados pretendem diminuir a evasão escolar de 8% para 4% e a quantidade de jovens adultos sem qualificação profissional de 17% para 8,5% da população economicamente ativa. (Marcelo Medeiros, do Jornal da Ciência) Nota da redação: Esta reportagem foi originalmente publicada na edição 680 do Jornal da Ciência, que tem conteúdo exclusivo em sua versão impressa. Informações sobre como assinar a publicação podem ser obtidas pelo e-mail jciencia@jornaldaciencia.org.br ou pelo fone (21) 2109-8989. |
Florianópolis sediará fórum mundial de educação tecnológica
| 2º Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica está previsto para novembro de 2011 O conselho internacional do Fórum Mundial de Educação (FME), reunido no domingo, dia 12, em Santiago de Compostela (Espanha), aprovou por unanimidade a escolha de Florianópolis (SC) como sede do 2º Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. O encontro está previsto para novembro de 2011. Com a escolha da capital catarinense, será possível instalar o comitê organizador, formado por entidades e instituições parceiras. Elas serão responsáveis pelo encontro, ao lado do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina. O conselho internacional do FME reuniu-se durante o Fórum Mundial de Educação Temático (FMEt), em Santiago de Compostela. No encontro, que termina nesta segunda-feira, dia 13, foi debatido o tema "Educação, Pesquisa e Cultura de Paz", com a participação de representantes do Brasil, Uruguai, Espanha e Colômbia. Na abertura oficial, na sexta-feira, dia 10, o ex-presidente e ex-primeiro ministro de Portugal Mário Soares defendeu a educação para a paz como disciplina curricular obrigatória em todos os países. Segundo ele, o assunto deve ser prioritário na agenda das nações, de forma a contribuir para regular "a globalização desenfreada". O presidente da Fundação Cultura de Paz, o espanhol Federico Mayor Zaragoza, afirmou que a sociedade civil deve apoiar-se nas tecnologias da comunicação para dizer basta à violência. "Os cidadãos podem ser fontes de informação, ajudando os jornalistas a escrever o mundo tal como tem de ser", disse. O representante do Ministério da Educação brasileiro, Alexandre Vidor, destacou o papel da rede federal brasileira de educação profissional na construção de uma cultura da paz. "A revolução que está em curso no Brasil nessa área dá o protagonismo ao indivíduo", disse. "Devemos, sempre, reafirmar que a formação cidadã deve preceder a capacitação para o mercado de trabalho." Realizado pela primeira vez em 2001, em Porto Alegre, o FME reúne dirigentes e organizações de todos os continentes para articular e democratizar conhecimentos e experiências. A proposta do fórum é a construção coletiva de uma plataforma internacional de defesa da educação pública, gratuita, laica, obrigatória e de qualidade e que promova a cultura de paz. Mais informações, http://www.foro2010.org/ (Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=75327 |
Proteína restaura memória
| Proteína restaura memória | |
| Estudo com modelo animal para a doença de Alzheimer consegue avanços ao recuperar a memória e a capacidade de aprendizagem, abrindo caminho para novos tratamentos Um grupo de pesquisadores do Centro em Ciência da Saúde na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, conseguiu restaurar a memória e a capacidade de aprendizagem em um modelo animal da doença de Alzheimer.
No estudo, a recuperação foi verificada em camundongos que tiveram aumentada a quantidade de uma proteína chamada CBP. Segundo os autores, trata-se da primeira demonstração de que a CBP, que libera a produção de outras proteínas essenciais para a formação de memórias, pode reverter consequências da doença hoje incurável.
Os resultados da pesquisa serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".
De acordo com os cientistas, o estudo aponta para um novo caminho para o desenvolvimento de terapias para Alzheimer, forma mais comum de demência que afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo.
Em pacientes com a doença, o acúmulo da proteína beta-amiloide bloqueia a formação de memória ao destruir as sinapses, regiões em que os neurônios compartilham informações. Outra proteína, a tau, forma emanharados neurofibrilares que se depositam no interior dos neurônios.
Aumentar a quantidade de CBP não altera a fisiologia da beta-amiloide ou da tau, mas atua em um mecanismo de recuperação diferente, ao restaurar a atividade da proteína CREB e elevar os níveis de outra proteína, chamada BDNF.
"A CBP pode funcionar como um efeito dominó entre as proteínas que transportam sinais das sinapses aos núcleos dos neurônios. Levar informação aos núcleos é necessário para a formação de memórias de longo prazo", disse Salvatore Oddo, um dos autores do estudo.
O grupo produziu geneticamente um vírus capaz de levar a CBP ao hipocampo, região no cérebro fundamental para a consolidação de memórias e para a aprendizagem.
Aos seis meses de idade, quando a entrega da CBP foi realizada, os camundongos modificados geneticamente estavam com perdas cognitivas semelhantes às verificadas no Alzheimer.
Os animais foram avaliados em um labirinto, onde tinham que lembrar a localização de uma plataforma de saída. Camundongos tratados com CBP foram comparados com outros que receberam apenas placebo e com um terceiro grupo, de animais normais.
A eficiência em escapar do labirinto foi usada como sinal de formação de memória e de aprendizagem. No modelo com Alzheimer, o rendimento do grupo com CPB foi idêntico ao observado nos animais normais, sem a doença, e muito superior ao grupo que recebeu placebo.
O artigo "cAMP-response element binding protein binding protein gene transfer increases brain-derived neurotrophic factor levels and ameliorates learning and memory deficits in a mouse model of Alzheimer's disease" (10.1073/pnas.1012851108), de Salvatore Oddo e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da "PNAS" emwww.pnas.org. (Agência Fapesp, 14/12) | |