Deputados e
representantes de entidades ligadas à educação pediram ontem (10) mais
recursos do governo federal para o cumprimento do piso salarial nacional
dos professores da educação básica, hoje fixado em R$ 1.451.
O valor, reajustado anualmente, é determinado pela
lei do piso (11.738/08). Segundo levantamento da Confederação Nacional
dos Trabalhadores da Educação (CNTE) divulgado no último dia 5 de abril,
pelo menos 13 estados não pagam o valor previsto.
Estados e municípios reclamam da falta de recursos para o cumprimento
da lei. "Estamos chegando a um conflito: ou os estados vão cumprir a
Lei de Responsabilidade Fiscal ou eles vão cumprir a lei do piso. O
gestor não terá como resolver isso", alertou o secretário de educação de
Santa Catarina e representante do Conselho Nacional de Secretários de
Educação (Consed).
A lei estabelece que a União deverá complementar os recursos de
estados e municípios que comprovarem não terem verbas suficientes para o
cumprimento do piso. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos
Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, contudo, a burocracia para alcançar
esse dinheiro é impeditiva. "A complementação prevista em lei é só para
inglês ver. O Ministério da Educação não permite esse repasse
efetivamente", defendeu.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) reconheceu que há problemas na
forma de concessão das verbas complementares pela União. "Os critérios
que o MEC adota são muito rígidos e deveriam ser mais flexíveis. Para
tanto, o caminho é o debate. O que temos que garantir é que o País cuide
da sua educação que, para ser de boa qualidade, passa inexoravelmente
por um professor bem remunerado", disse.
As declarações foram feitas durante audiência pública da Comissão de
Trabalho, de Administração e Serviço Público realizada ontem (10). O
presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),
entidade vinculada ao Ministério da Educação, foi convidado, mas não
compareceu nem enviou representante. A deputada Flávia Morais (PDT-GO),
que requereu o debate, levantou a possibilidade de realizar uma
audiência sobre o tema no próprio Ministério da Educação. Ela também
cogitou fazer nova audiência convocando representante do órgão. Nesse
caso, a presença do ministério na Câmara seria obrigatória.
Descentralização - Segundo a diretora de comunicação
da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime),
Márcia Adriana de Carvalho, que participou do debate, a cada R$ 1 gasto
em educação no País, apenas 20 centavos provêm da União. O restante (41 e
39 centavos, respectivamente), está a cargo dos estados e dos
municípios. "Se, por um lado, o gestor deve entender que a remuneração
dos professores deve ser uma prioridade, por outro, o governo federal,
que hoje arrecada a maior parte, deve descentralizar esses recursos para
que estados e municípios possam cumprir com suas responsabilidades",
ponderou Flávia Morais.
Para o presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, o aumento do
salário dos professores depende da colaboração de todos os entes. "O
governo federal precisa por a mão no bolso. Os critérios de
complementação não podem ser tão restritos. Mas os prefeitos e
governadores também têm de abrir a mão, deixar de desperdiçar recursos
em outras áreas e garantir que os professores estejam em sala de aula",
defendeu.
Atividade extraclasse - Outro tema polêmico na lei
do piso é a carga horária máxima que o professor deve cumprir dentro de
sala de aula. Segundo a norma, as atividades extraclasse devem somar
pelo menos um terço da jornada total. De acordo com o levantamento da
CNTE, no mínimo 17 estados não cumprem essa regra.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo
Ziulkoski, chegou a afirmar que nenhum estado ou município cumpre
integralmente a Lei 11.738/08. "O País soma um milhão de professores. Se
todos eles tiverem um terço de sua carga fora de sala de aula, teremos
de contratar outros 300 mil docentes. Tudo isso deve ser contabilizado
no custo da lei do piso", afirmou.
Apesar da alegação de falta de verbas pelos estados e municípios, o
presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, pediu prioridade para
educação nos gastos públicos. "É preciso acertar as contas públicas
levando-se em conta as necessidades da população. Tem de ter
responsabilidade? Sim. Mas tem de ter também salário decente para os
professores", criticou.
PNE - Em reunião ontem (10) com parlamentares da
Comissão Especial do Plano Nacional da Educação (PNE), o ministro da
Fazenda, Guido Mantega, manteve a postura já conhecida do governo
federal de aumentar dos atuais 5% para 7,5% o investimento em educação
do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o deputado federal Newton Lima
(PT-SP), o titular da pasta disse ainda que há uma chance de o valor ser
reavaliado nos próximos cinco anos.
Apesar da cobrança de um investimento de 10% feita por entidades
ligadas ao tema, o relator da proposta na Câmara, o deputado Angelo
Vanhoni (PT-PR), disse estar convencido de que a quantia proposta "fará
uma revolução na educação". O encontro a portas fechadas, porém, foi
criticado. "Mostra claramente a restrição do governo em debater o
assunto. Se ele vai dizer que não tem como aumentar a quantidade do
investimento do PIB, isso deveria ser dito publicamente", defendeu o
coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel
Cara.
(JC com informações da Agência Câmara e Correio Braziliense)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário