sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mudar a abordagem sobre o desenvolvimento sustentável, artigo de Mark Stafford Smith

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81817"O foco deve mudar da documentação dos problemas para o apoio a soluções", diz Mark Staffird Smith, diretor científico da Comunidade de Pesquisa Científica e Industrial de Canberra, Austrália, e Vice-Presidente da Conferência "O Planeta sob Pressão". Artigo* publicado na coluna "Visão Mundial" da Nature, de 22 de março.


Enquanto o mundo avança rumo à próxima grande cúpula ambiental, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Rio de Janeiro, Brasil, em junho, autoridades e políticos pedem novas avaliações de nossa situação ecológica global.

Em janeiro, por exemplo, o painel sobre sustentabilidade global promovido pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, recomendou a elaboração de um "relatório periódico com a visão global do desenvolvimento sustentável, que reúna as informações e avaliações hoje dispersas entre as instituições e as analise de forma integrada".

Eis uma resposta à pesquisa que mostra como a sociedade global está cada vez mais interligada e interdependente. O efeito cascata sobre a disponibilidade de terras e a segurança alimentar gerado pela mudança para os biocombustíveis, por exemplo, demonstra como as ações para combater as emissões de dióxido de carbono podem assumir outros objetivos.

Mas, nestes tempos difíceis, pode a comunidade científica fortemente pressionada apoiar novo processo de avaliação? E é isso, realmente, o que os formuladores de políticas precisam da pesquisa?

Os cientistas já estão ocupados falando em nome dos formuladores de políticas. Há o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC); a Avaliação Ecossistêmica do Milênio; as avaliações das águas internacionais, montanhas e água fresca; a Avaliação Marítima Global; e a nova e importante plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas. Cada avaliação desempenha papel crucial na consolidação dos conhecimentos sobre os sectores específicos. Mas como ligar os pontos?

Em muitas áreas, as taxas de mudanças ambientais globais se aceleram, mas os processos decisórios se arrastam com baixa velocidade. Não há certeza de que outra avaliação convencional irá catalisar uma ação mais rápida. Assim, embora a comunidade científica deva se apoiar numa análise integrada, ela precisa ser feita de modo diferente.

Primeiro, o foco deve mudar da documentação dos problemas para o apoio a soluções. Isso requer interação forte e contínua entre os que trabalham em pesquisa aplicada estratégica e os que decidem na política, na indústria e na sociedade civil, adotando tanto decisões específicas (como o modo de enquadrar um acordo particular de comércio), quanto decisões de mais amplo contexto (interações entre o bem-estar nacional, os resultados ambientais e os fluxos econômicos).

Em segundo lugar, o processo deve promover respostas em todas as escalas, desde os governos nacionais e grupos regionais até as instituições da ONU. As soluções adequadas diferem de região para região, sejam elas baseadas em tecnologias específicas para a produção de energia ou o sequestro de carbono, ou em análises que abordem, em conjunto, água, energia e alimentos.

Por fim, o processo deve funcionar em todos os setores, através da análise simultânea, por exemplo, do impacto de uma política de migração sobre o meio ambiente e o bem-estar social. Para fazer isso de modo abrangente, a pesquisa deve também tornar-se mais integrada, abarcando as ciências naturais e sociais e as humanidades, a fim de que se entendam as implicações das mudanças.

Como isso poderia ser feito? Duas propostas já apresentadas para a Rio+20 podem ajudar: por meio do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDC, na sigla em inglês), diretamente subordinado à Assembleia Geral da ONU, e por meio de um conjunto de objetivos em desenvolvimento sustentável (SDGs).

A UNSDC poderia realizar análises estratégica da sustentabilidade global, bem como estabelecer e coordenar painéis de decisões específicas - pequenos grupos de trabalho mistos que incluam membros não-científicos, nomeados para relatar com rapidez questões específicas. Tais câmaras trabalhariam em todos os setores, de forma independente, mas pertenceriam ao conjunto de organismos mundiais como a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a Organização Mundial do Comércio, o Programa da ONU para o Meio Ambiente e o Banco Mundial.

Tal modelo deve ser replicado nos níveis regional e nacional, impulsionado pelas necessidades locais, com apropriação local. Uma coordenação lúcida do UNSDC garantiria boa comunicação e intercâmbio de ideias, e asseguraria que as atividades em uma região não levariam a resultados globais perversos - levando talvez as pessoas a se mudarem, distorcendo os preços ou gerando o uso excessivo de recursos.

Os SDGs poderia garantir que essas atividades integrem os três pilares da sustentabilidade - ambiental, econômica e social -, em vez de lidar com cada uma isoladamente, como fazem as metas atuais da ONU para o Desenvolvimento do Milênio. Os SDGs devem ligar os sectores, visando, por exemplo, melhorar o bem-estar sem danos ao meio ambiente, garantir a segurança alimentar sem comprometer a subsistência local e desenvolver ambientes urbanos habitáveis sem aumentar o uso de recursos.

Todas essas obras se baseiam em tendências existentes nas atividades de órgãos como o IPCC, mas precisamos de uma mudança rápida na evolução da relação entre a ciência e a tomada de decisões.

Países como a Austrália já falam em "sistemas de inovação nacionais", que abrange a totalidade de seus esforços de pesquisa pura e aplicada e as interações destes com a tomada de decisões na indústria e no governo. É tempo de adotar um sistema de inovação global para apoiar uma tomada de decisões melhor coordenada e mais ágil sobre a sustentabilidade global em todas as escalas. Muito trabalho precisa ser feito com relação aos detalhes. Mas, se a ciência deve ser verdadeiramente útil à sociedade, é por isso que devemos lutar.

*Tradução de José Monserrat Filho

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

lançamento do Ano Internacional da Química

17/2/2011

A SBQ no lançamento do Ano Internacional da Química
27 e 28 de janeiro, 2011, UNESCO, Paris

           A SBQ esteve representada no lançamento do Ano Internacional da Química, nos dias 27 e 28 de janeiro de 2011, na sede da UNESCO, em Paris, pelos Profs. Claudia Rezende (UFRJ), Vanderlan da S. Bolzani (UNESP), Carol Collins (UNICAMP), Jailson Bittencourt de Andrade (UFBA), Fernando Galembeck (UNICAMP) e César Zucco (UFSC). Gislaine Regina Rossetti (BASF) representou o Setor Industrial.
           A programação do evento foi muito intensa e de alto nível. A abertura colocou à mesa as autoridades da UNESCO, da IUPAC, do Governo Francês e de convidados de diversas partes do mundo. As falas, em sua maioria, trataram de temas voltados à necessidade de acelerar a educação em Química e à indispensabilidade da Química para o desenvolvimento sustentável.
           O Prof. Jean-Marie Lehn proferiu a excelente palestra From Matter to Life: Chemistry, enfatizando que a Química é a ciência da estrutura e da transformação das entidades vivas e não-vivas. A ela seguiram-se duas palestras envolvendo a Química e o progresso da civilização: Do início ao século 18: o exemplo da China e Do século 18 aos nossos dias: grandes nomes e grandes avanços.
           As mulheres na Química foi tema de palestras Marie Sklodowska Curie, a mulher cientista desfazendo o mito, pela Profa. Hélène Longvin-Joliot, neta de Marie Curie, e O surpreendente ribossomo, seus pequenos inimigos e dicas de sua origem, pela não menos surpreendente Profa. Ada Yonath, laureada com o Prêmio Nobel de Química de 2009.
           Em Tendências globais e perspectivas: Química e o desenvolvimento sustentável, foram incluídos os temas Meio-ambiente e Clima, Nutrição e Água, Saúde, Energia, Materiais e Aspectos Econômicos e Sociais. Foi um belo conjunto de palestras, dentre as quais destacaram-se a do Prof. Yuan Lee, Nobel de Química de 1986, Os desafios do nosso planeta; a do Diretor Executivo da BASF, Hans-Ulrich Engel, Química: soluções para os desafios globais; Montando a cena: mudança climática, proferida pelo também Prêmio Nobel (2007), Rajendra K. Pachauri; Gerardo M. Ramos Tombo, Diretor de Desenvolvimento da Syngenta, Agricultura, soluções de colheitas, água e produção de alimentos; o Diretor de Divisão de Reservas de Água, Kuwait, Muhammad Al Rashed, Reservas de Água no Oriente Médio: convencionais ou não-convencionais – quais vencerão?; o Prof. Marcel Tanner, Instituto Suíço de Saúde Pública e Tropical, Basel, apresentou Saúde e doença: grandes desafios globais e o Vice-presidente da GlaxoSmithKline R&D, Dave Alle, Contribuição da indústria à saúde global. Thierry Le Hénaff, Arkema, falou sobre Química e os materiais do amanhã, deixando entendido que não haverá energia renovável, moradias, medicamentos, alimentos – e muito mais – sem Química.
           Relativamente aos aspectos econômicos e sociais, destaque seja dado à mesa redonda (sete participantes) Impactos da Química: emprego, economia e sociedade. Foram horas de muita imaginação e criatividade (às vezes um pouco de futurismo), durante as quais foram debatidos temas que respondessem aos questionamentos: “como será a Química no futuro”, especialmente no que diz respeito ao bem-estar social, e “como será o químico” nesse meio. A sustentabilidade, a Química verde, o pesquisador envolvido com a Universidade, mas também com a indústria, a inter- e multidisciplinaridade, os equipamentos e as análises em tempo real foram tópicos abordados. Nesse contexto, ficou evidente que o químico deverá ser, mais e mais, um sujeito com entusiasmo, paixão, curiosidade, criatividade, espírito empreendedor...
           Além das palestras, aconteceram apresentações (filmes) de curta duração e exposições da indústria e de setores voltados à educação em Química.
           A delegação da SBQ encontrou-se com os executivos da IUPAC e tratou de vários assuntos, entre os quais, a realização do Congresso Mundial de Química da IUPAC e a reunião do Comitê Executivo ou do Bureau da IUPAC, no Brasil. As negociações estão bem encaminhadas.
           Na Sorbonne, estava ocorrendo a Jornada Marie Curie, com vídeos, fotos e exposições sobre energia nuclear, medicina nuclear e outros afinidades. Contatos foram feitos com o Prof. Robert Guillaumont sobre essas mídias, com o objetivo de serem disponibilizadas no Brasil. As negociações continuam.
           Junto à European Schoolnet, Projeto Equality Xperimania, com atividades para educação em ciências, sobretudo para os jovens, foram iniciadas ações para projetos em conjunto com a SBQ. O nosso DVD em comemoração ao AIQ-2011 teve uma enorme aceitação.
           O filme sobre o AIQ-2011, lançado em Paris, será traduzido para o português, com a devida permissão (http://www.youtube.com/user/epca2011iyc).

Fonte: César Zucco, Claudia Rezende e Jailson B. Andrade

sábado, 18 de dezembro de 2010

Transplante elimina Aids

 
Paciente fica livre do HIV após receber células-tronco em tratamento para leucemia

Um transplante de células-tronco adultas, precursoras de células do sangue, recebido por um paciente com leucemia e Aids acabou por curá-lo não só do câncer como da infecção pelo HIV, anunciaram médicos alemães. Embora este possa ser o primeiro caso em que o vírus foi completamente eliminado do organismo, ele tem particularidades que o tornam único, alertam especialistas.

Além disso, o método é considerado muito arriscado para ser adotado como procedimento padrão, mas indica caminhos que podem ser usados para encontrar uma cura para a doença. O caso foi relatado há dois anos, mas só agora a eliminação foi confirmada.

- É interessante comprovar que medidas extraordinárias podem curar alguém com o HIV. Mas o procedimento é muito arriscado para se tornar padrão - afirma o médico Michael Saag, da Universidade de Alabama, nos EUA, e conselheiro da HIV Medicine Association.

O paciente, um americano na faixa dos 40 anos, vive em Berlim e, em 2007, recebeu um transplante feito a partir de células-tronco adultas retiradas de um doador que, além de compatível, tinha uma mutação genética que lhe conferia uma resistência natural contra o HIV. Agora, três anos depois, ele não tem sinais nem da leucemia nem do vírus.

Transplantes de células-tronco adultas têm sido usados no lugar dos tradicionais transplantes de medula óssea no tratamento da leucemia. Antes de receber o sangue, o paciente teve seu sistema imunológico completamente destruído por radiação e quimioterapia.

- As células do paciente que hospedavam o HIV foram destruídas e, ao ter seu sistema imune repovoado pelas células do doador, essas ainda por cima eram resistentes à infecção pelo vírus. Assim, o HIV não conseguiu infectar novas células e foi eliminado de seu organismo - explica o virologista Amilcar Tanure, do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ.

Para Tanure, o caso é importante por provar que é possível curar a infecção pelo HIV, além de demonstrar que o vírus só infecta células do sistema imunológico dos doentes. Segundo ele, mesmo controlado pelo coquetel de remédios dado aos pacientes com o HIV, o vírus permanece escondido no corpo, associado ao genoma de células do sistema imunológico, ressurgindo depressa se o tratamento for suspenso.

- São células como linfócitos e macrófagos que guardam memória, como no caso da imunidade conferida por vacinas - conta. - Não se sabia se a quimioterapia era capaz de matar todas elas. Além disso, havia a teoria de que o HIV podia infectar outros tipos de células do organismo que não as do sistema imunológico.

Pelo jeito, isso não é verdade. De acordo com o virologista, o método que curou o americano não é prático nem seguro o bastante para ser usado de forma ampla. Ele lembra que pessoas sem grau de parentesco têm apenas uma chance em 10 mil de serem compatíveis para o transplante de células-tronco sanguíneas.

Some-se a isso o fato de só uma em cada cem terem a mutação que dificulta a proliferação do HIV e as chances de o procedimento ser replicado caem para pelo menos uma em um milhão.

Isso sem contar que o risco de mortalidade por complicações do procedimento é de aproximadamente de 5%.

- Esse caso é muito particular. Ninguém vai ficar fazendo transplantes de células-tronco a torto e a direito para tratar o HIV - avalia. - Mas o achado abre caminho para pesquisas sobre como eliminar o HIV. Pode-se, por exemplo, desenvolver uma droga que só mate essas células latentes do sistema imunológico que abrigam o HIV. Associando ela ao tratamento antirretroviral, talvez se consiga eliminar o vírus em outros doentes. De qualquer forma, a descoberta é um alento para a comunidade científica ao mostrar não se está correndo atrás de uma miragem ao se tentar eliminar o vírus.
(César Baima)
(O Globo, 16/12)

Alemanha busca cientistas em todo o mundo para avançar

Preocupada com o cada vez menor número de nascimentos no país e com a qualidade do ensino, a Alemanha está investindo para atrair jovens cientistas e se tornar uma das três potências científicas do mundo até 2020. A falta de profissionais pode chegar a 480 mil pessoas

Conhecida por ter um rígido controle migratório, a maior economia da Europa está se abrindo a estudantes. Devido à baixa natalidade registrada desde os anos 1990, os alemães estão de olho em jovens cientistas de diversas partes do mundo, ao mesmo tempo em que investem para melhorar a qualidade do ensino básico e universitário.

"Atrair cientistas é vital", afirmou a ministra da Educação e Pesquisa, Annete Schavan, durante a cerimônia de entrega do prêmio Talentos Verdes, uma das iniciativas de atração de pesquisadores estrangeiros. "A Alemanha precisa se abrir para o mundo e ter pesquisadores curiosos. Temos objetivos ambiciosos e queremos liderar a pesquisa no mundo", complementa.

As metas para que o plano saia do papel são de médio e longo prazo. Se por um lado os investimentos em educação, ciência e tecnologia estão crescendo nos últimos anos e o governo estimula indústrias de ponta, com alto grau de conhecimento aplicado, como nanotecnologia e energias renováveis, por outro, problemas demográficos tornam a tarefa mais árdua.

A dificuldade com a demografia se deve principalmente à baixa taxa de natalidade verificada no país. Lá, cada mulher tem, em média, 1,41 filho, contra 2,21 no Brasil. O número faz com que a reposição de estudantes seja pequena e a média de idade do país seja alta - 44 anos, contra 28,9 no Brasil.

"Em dez anos, quando as atuais crianças se tornarem adolescentes, começaremos a sentir falta de trainees e depois de equipes qualificadas", alerta relatório do Ministério da Educação e Pesquisa.

O quadro é agravado quando se olha para o número de jovens que deixam os estudos precocemente - 8% dos estudantes largam a escola antes de terminar o equivalente ao Ensino Fundamental, percentual considerado alto para padrões europeus.

Dados do Centro de Pesquisa para a Economia Europeia prevêem que a Alemanha demandará entre 180 mil e 480 mil profissionais qualificados até 2014, devido ao envelhecimento da população e mudanças estruturais na economia.

As áreas mais afetadas são matemática, informática, ciências naturais e tecnologia, principalmente em nível técnico. Segundo a Associação de Câmaras de Comércio da Alemanha, 50% das empresas relatam problemas para contratar mestres ou doutores.

O diretor da Universidade do  Instituto de Física Experimental da Universidade Técnica de Freiberg, Hans Möller, já sente na pele a falta de estudantes e profissionais. "Temos problemas sobretudo na Alemanha oriental, onde as pessoas preferem ir para o lado ocidental em busca de melhores empregos e qualidade de vida", relata. "Faltam estudantes, pesquisadores, pessoal de laboratório e técnicos."

Em reação a isso, as empresas oferecem treinamentos internos (51% já possuem programas próprios) e contratam pessoas com mais de 55 anos. Mas, para Möller, essas medidas não bastam: "não vejo outra saída se não buscar gente talentosa em outros países".

Competição - Para ultrapassar as barreiras postas ao desenvolvimento econômico, os alemães decidiram entrar na competição internacional por jovens talentos. Hoje, segundo dados recolhidos pelo instituto Hochschul-Informations-System (HIS), sob encomenda do Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão (DAAD), dos dois milhões de universitários no país, 240 mil são estrangeiros. A China lidera a lista de origem dos alunos, seguida por Turquia, França e Polônia. O Brasil ocupa a 26ª posição.

Além disso, 8% dos professores de nível superior e 15% dos pesquisadores são estrangeiros. Já em cursos de doutorado, 20% dos estudantes são de outros países, o que deixa a Alemanha na 15ª posição no ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em 2009, havia 359 doutorandos brasileiros entre os alemães.

A intenção é crescer, mas não há percentuais definidos. De 2008 para 2009, o número de estudantes estrangeiros na Alemanha cresceu 10%.

O país, no entanto, ainda fica atrás dos países anglófonos na escolha feita por pesquisadores internacionais para trabalhar. As razões vão de prestígio (a universidade alemã mais bem colocada no ranking do jornal inglês The Times é a de Göttingen, na 43ª posição) a dificuldades com a língua. Não à toa, muitas universidades já oferecem cursos de pós-graduação em inglês e desenvolvem ações de marketing mundo afora.

Bolsas - Do lado governamental, a oferta de prêmios e bolsas de estudos é crescente. "Premiamos a excelência em pesquisa, claro, mas sobretudo a criatividade. Com os prêmios, a Alemanha ganha visibilidade internacional. Os premiados podem voltar para completar seus estudos, porém o mais importante é desenvolvermos redes com o que há de mais avançado no mundo", afirma Reinhard Hüttl, diretor-executivo e científico do Centro de Pesquisas de Geociências da Alemanha, em Postdam.

China, Brasil e Índia são os países prioritários no mundo em desenvolvimento. A brasileira Juliana Lima é uma das que entrou na rede alemã. Doutora em química pela Universidade de Campinas (Unicamp), ela foi uma das vencedoras do Prêmio Talentos Verdes em 2009 e agora faz seu pós-doutorado no Instituto Max Plank para Pesquisa de Polímeros.

Atraída por uma bolsa de 3.200 euros mensais e condições de trabalho sem igual no Brasil, ela pensa em se estabelecer na Europa. "O laboratório da Unicamp não deve nada ao daqui, mas na Alemanha não há burocracia para se obter material e eles são mais abertos a trabalhos criativos", relata.

Migração

O Estado alemão busca também soluções no campo jurídico. A fim de atrair estudantes e pesquisadores para universidades e empresas, as rígidas regras de imigração foram flexibilizadas. A intenção é desestimular o retorno de pesquisadores qualificados a seus países - alguns governos incentivam os emigrados a voltar com altos rendimentos e promessas de melhores condições de pesquisa - e tornar a Alemanha um país mais atrativo para quem tem qualificação acadêmica.

Estrangeiros formados em universidades germânicas têm um ano para buscar emprego no país e contam com ajuda de uma agência estatal para isso. Já para os pesquisadores, o salário necessário para ganhar um visto de residência permanente caiu de 86.400 para 64.000 euros anuais, valor considerado ainda alto pelos críticos.

Também foram suspensas medidas de reserva de mercado, apesar de, em algumas áreas, a contratação de estrangeiros ainda estar vinculada à inexistência de mão de obra local.

Ao mesmo tempo, o governo tem buscado fortalecer redes internacionais de pesquisa, a fim de economizar recursos e estar atento a pesquisas de ponta que estejam sendo feitas em qualquer lugar do mundo.

Outro objetivo é manter pesquisadores alemães no país, uma vez que muitos vão principalmente para os EUA e a Inglaterra em busca de melhores oportunidades - cerca de 20 mil pesquisadores germânicos trabalham hoje no exterior.

Crise não impede aumento de investimentos em educação

A busca por melhorias na educação e no desenvolvimento da ciência na Alemanha não foi afetada pela crise financeira mundial. O governo federal, com apoio dos estados, lançou uma série de iniciativas nos últimos anos para estimular a pesquisa e a melhoria da qualidade educacional no país.

Entre elas está o programa "Indo adiante por meio da Educação", de 2006. Voltada para melhorar a qualidade do ensino em todas as áreas do conhecimento e níveis, a iniciativa promete elevar os investimentos em educação para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015 (em 2007 era de 4,4%).

Além dessa iniciativa, o segundo pacote de estímulo econômico, lançado no fim de 2008 para tentar recuperar a economia após o baque daquele ano, previa gastos de 8,6 bilhões de euros em 2009 e 2010 na reforma de jardins de infância, infraestruturas de escolas, instituições de ensino superior e museus.

O objetivo é melhorar a qualificação dos alemães. Até 2015, o governo federal e os estados pretendem diminuir a evasão escolar de 8% para 4% e a quantidade de jovens adultos sem qualificação profissional de 17% para 8,5% da população economicamente ativa.
(Marcelo Medeiros, do Jornal da Ciência)

Nota da redação: Esta reportagem foi originalmente publicada na edição 680 do Jornal da Ciência, que tem conteúdo exclusivo em sua versão impressa. Informações sobre como assinar a publicação podem ser obtidas pelo e-mail jciencia@jornaldaciencia.org.br ou pelo fone (21) 2109-8989.

Florianópolis sediará fórum mundial de educação tecnológica

2º Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica está previsto para novembro de 2011

O conselho internacional do Fórum Mundial de Educação (FME), reunido no domingo, dia 12, em Santiago de Compostela (Espanha), aprovou por unanimidade a escolha de Florianópolis (SC) como sede do 2º Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. O encontro está previsto para novembro de 2011.

Com a escolha da capital catarinense, será possível instalar o comitê organizador, formado por entidades e instituições parceiras. Elas serão responsáveis pelo encontro, ao lado do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina.

O conselho internacional do FME reuniu-se durante o Fórum Mundial de Educação Temático (FMEt), em Santiago de Compostela. No encontro, que termina nesta segunda-feira, dia 13, foi debatido o tema "Educação, Pesquisa e Cultura de Paz", com a participação de representantes do Brasil, Uruguai, Espanha e Colômbia.

Na abertura oficial, na sexta-feira, dia 10, o ex-presidente e ex-primeiro ministro de Portugal Mário Soares defendeu a educação para a paz como disciplina curricular obrigatória em todos os países. Segundo ele, o assunto deve ser prioritário na agenda das nações, de forma a contribuir para regular "a globalização desenfreada".

O presidente da Fundação Cultura de Paz, o espanhol Federico Mayor Zaragoza, afirmou que a sociedade civil deve apoiar-se nas tecnologias da comunicação para dizer basta à violência. "Os cidadãos podem ser fontes de informação, ajudando os jornalistas a escrever o mundo tal como tem de ser", disse.

O representante do Ministério da Educação brasileiro, Alexandre Vidor, destacou o papel da rede federal brasileira de educação profissional na construção de uma cultura da paz. "A revolução que está em curso no Brasil nessa área dá o protagonismo ao indivíduo", disse. "Devemos, sempre, reafirmar que a formação cidadã deve preceder a capacitação para o mercado de trabalho."

Realizado pela primeira vez em 2001, em Porto Alegre, o FME reúne dirigentes e organizações de todos os continentes para articular e democratizar conhecimentos e experiências. A proposta do fórum é a construção coletiva de uma plataforma internacional de defesa da educação pública, gratuita, laica, obrigatória e de qualidade e que promova a cultura de paz.

Mais informações, http://www.foro2010.org/
(Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=75327

Proteína restaura memória

Proteína restaura memória
Estudo com modelo animal para a doença de Alzheimer consegue avanços ao recuperar a memória e a capacidade de aprendizagem, abrindo caminho para novos tratamentos

Um grupo de pesquisadores do Centro em Ciência da Saúde na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, conseguiu restaurar a memória e a capacidade de aprendizagem em um modelo animal da doença de Alzheimer.

No estudo, a recuperação foi verificada em camundongos que tiveram aumentada a quantidade de uma proteína chamada CBP. Segundo os autores, trata-se da primeira demonstração de que a CBP, que libera a produção de outras proteínas essenciais para a formação de memórias, pode reverter consequências da doença hoje incurável.

Os resultados da pesquisa serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

De acordo com os cientistas, o estudo aponta para um novo caminho para o desenvolvimento de terapias para Alzheimer, forma mais comum de demência que afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo.

Em pacientes com a doença, o acúmulo da proteína beta-amiloide bloqueia a formação de memória ao destruir as sinapses, regiões em que os neurônios compartilham informações. Outra proteína, a tau, forma emanharados neurofibrilares que se depositam no interior dos neurônios.

Aumentar a quantidade de CBP não altera a fisiologia da beta-amiloide ou da tau, mas atua em um mecanismo de recuperação diferente, ao restaurar a atividade da proteína CREB e elevar os níveis de outra proteína, chamada BDNF.

"A CBP pode funcionar como um efeito dominó entre as proteínas que transportam sinais das sinapses aos núcleos dos neurônios. Levar informação aos núcleos é necessário para a formação de memórias de longo prazo", disse Salvatore Oddo, um dos autores do estudo.

O grupo produziu geneticamente um vírus capaz de levar a CBP ao hipocampo, região no cérebro fundamental para a consolidação de memórias e para a aprendizagem.

Aos seis meses de idade, quando a entrega da CBP foi realizada, os camundongos modificados geneticamente estavam com perdas cognitivas semelhantes às verificadas no Alzheimer.

Os animais foram avaliados em um labirinto, onde tinham que lembrar a localização de uma plataforma de saída. Camundongos tratados com CBP foram comparados com outros que receberam apenas placebo e com um terceiro grupo, de animais normais.

A eficiência em escapar do labirinto foi usada como sinal de formação de memória e de aprendizagem. No modelo com Alzheimer, o rendimento do grupo com CPB foi idêntico ao observado nos animais normais, sem a doença, e muito superior ao grupo que recebeu placebo.

O artigo "cAMP-response element binding protein binding protein gene transfer increases brain-derived neurotrophic factor levels and ameliorates learning and memory deficits in a mouse model of Alzheimer's disease" (10.1073/pnas.1012851108), de Salvatore Oddo e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da "PNAS" emwww.pnas.org.

(Agência Fapesp, 14/12)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Coelce apresenta sistema de monitoramento de descargas atmosféricas

Sistema oferece informações sobre o número de raios e a situação do tempo em todo o Brasil

Da Agência CanalEnergia, Tecnologia
11/02/2009

A Coelce realizou na quinta-feira, 12 de fevereiro, um workshop para apresentar o Sistema de Monitoramento de Descargas Atmosféricas para o Ceará, utilizado pela empresa desde 2008. Com acesso gratuito e ilimitado pela internet, o sistema oferece informações sobre o número de raios e a situação do tempo em todo o Brasil, com atualizações a cada 15 minutos e 30 minutos, respectivamente.

O sistema é fruto de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento da concessionária, desenvolvido entre os anos de 2005 e 2008, com investimentos totais de R$ 615 mil. De acordo com a Coelce, a tecnologia utilizada pelo sistema é inovadora no país, guardando algumas similaridades com o sistema Brasil Dat, concentrado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A diferença é que o sistema da distribuidora do Ceará monitora todo o território brasileiro. O workshop contou com a participação do professor Carlos Augusto Morales, da Universidade de São Paulo, que desenvolveu o sistema junto com engenheiros da Coelce e pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará.

Google desenvolve tecnologia smart grid

Solução pode contribuir para que consumidores tenham maior controle sobre gastos de energia de seus aparelhos elétricos e evitem desperdícios

Da Agência CanalEnergia, PeD
11/02/2009

A Google está desenvolvendo um novo software que pode ajudar a economizar energia e reduzir valor das faturas. O Google PowerMeter mostra quanta eletricidade cada aparelho elétrico residencial está consumindo em tempo real, direto do computador. O novo software da empresa oferece diversas opções que ajudam o consumidor a entender melhor seus dados de energia e se beneficiar disto. O Google PowerMeter ainda está em fases de testes e, por isso, não está disponível ao público. No entanto, a empresa está firmando parcerias com distribuidoras e manufatureiras independentes para gradualmente inserir o software em programas-piloto.

Estudos revelam que as informações sobre os gastos de energia em casa resultam em economias entre 5% e 15% nas faturas mensais. Ou seja, se metade dos clientes de eletricidade americanos reduzissem sua demanda de energia em 10%, a redução de emissões seria equivalente à retirada de oito milhões de carros das estradas.

A empresa está, ainda, lutando por políticas de investimento em tecnologia de smart grid, cujos medidores inteligentes podem fornecer, tanto aos consumidores quanto às distribuidoras, informações sobre o consumo de energia em tempo real. De acordo com a Google, há aproximadamente 40 milhões desses medidores inteligentes em uso no mundo inteiro, e as expectativas são de que este número aumente para 140 milhões nos próximos anos.

Luz para todos: MME divulga manual de projetos especiais

Documento estabelece critérios técnicos e financeiros, procedimentos e prioridades que serão aplicados no atendimento de comunidades isoladas

Da Agência CanalEnergia, Expansão
16/02/2009

O Ministério de Minas e Energia divulgou o manual de projetos especiais que estabelece critérios técnicos e financeiros, além dos procedimentos e prioridades que serão aplicados no atendimento de comunidades isoladas no âmbito do programa Luz para Todos. De acordo com a portaria 60 publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira, 13 de fevereiro, o atendimento deverá ser feito, preferencialmente, por meio de fontes alternativas de energia.

O objetivo do manual, segundo o MME, é incentivar as empresas do setor a desenvolverem atendimentos alternativos para essas localidades. A publicação indica o uso de mini e micro centrais hidrelétricas, sistemas hidrocinéticos, térmicas a gás natural ou biocombustível, usinas solares fotovoltaicas e aerogeradores, além da possibilidade de sistemas híbridos. De acordo com o ministério, os recursos para a viabilização dos projetos especiais virão por subvenção econômica, correspondente a 85%, enquanto os 15% restantes virão dos agentes executores.

O manual prevê ainda que os projetos terão programa de obras específico, assim como acompanhamento físico e financeiro independentes das obras de atendimento convencionais do programa de eletrificação. Entre outros projetos, o manual permitirá a implantação de miniusinas fotovoltaicas en 13 comunidades, cada uma com 10 a 30 domicílios, localizadas no Amazonas. As unidades deverão servir de modelo para serem replicadas posteriormente. Clique aqui para ver o manual.

Horário de verão reduz em 15% consumo de energia da União

União economizou R$ 83,3 milhões na conta de energia, segundo informações da ONG Contas Abertas

Da Agência CanalEnergia, Consumidor
17/02/2009

O horário de verão contribuiu para que os órgãos federais economizassem R$ 83,3 milhões na conta de energia, segundo informações da ONG Contas Abertas. O saldo representa uma economia de 15% na comparação com o horário brasileiro de verão entre 2007 e 2008, no qual foram gastos R$ 545,1 milhões em energia elétrica. No período do último horário de verão, a quantia paga pelos órgãos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário foi de R$ 461,7 milhões.

Segundo a Contas Abertas, o Ministério da Defesa, que envolve o consumo do Exército, Marinha e Aeronáutica, foi o órgão que mais consumiu energia no ano passado, contabilizando R$ 235,4 milhões. Ainda de acordo com a assessoria da ONG, o Ministério mantém desde 2001 uma política de racionalização de energia, que inclui, entre outras medidas, análise e registro permanentes do consumo e revisão de contratos.

O Ministério da Educação ficou em segundo lugar com pouco mais de R$ 229 milhões com energia. Os gastos correspondem, segundo a ONG, à estrutura composta por universidades, autarquias, instituições e a Subsecretaria de Assuntos Administrativos, responsável pela despesa do edifício sede, anexos e das representações do ministério no Rio de Janeiro e em São Paulo.

De acordo com o MEC, para otimizar o gasto de energia, foi firmado um projeto com o Instituto de Desenvolvimento Gerencial e o Ministério do Planejamento denominado Programa de Eficiência do Gasto Público. O plano prevê iniciativas referentes aos gastos de energia para o edifício sede e anexo do MEC e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Redução do consumo de ar-condicionado e implantação de campanhas de conscientização para economia de energia, como computadores e lâmpadas desligadas ao final do expediente, são algumas das iniciativas para o MEC. Já para o FNDE, as ações referem-se à aquisição de banco de capacitores para diminuir a energia reativa, além da redução do número de lâmpadas por metro quadrado.

Gás natural mais competitivo

Lei do Gás reúne as bases para estimular o desenvolvimento consistente de toda a cadeia do gás natural e cria um ambiente favorável para a atração de novos investidores

Arnaldo Jardim, para a Agência CanalEnergia, Artigos
16/02/2009

A aprovação da Lei do Gás, em dezembro passado, representa um divisor de águas na história do gás natural no País. O marco regulatório, que aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ser regulamentado nos próximos meses, contribuirá para aumentar a segurança de suprimento e reduzir os custos do combustível, impulsionando o aumento da sua participação na matriz energética brasileira. O texto conjuga argumentos técnicos e a necessária segurança jurídica, de forma a alinhar interesses econômicos, o compromisso com o crescimento e os benefícios para a sociedade civil.

Muitas rodadas de negociações se fizeram necessárias para acomodar de forma técnica e legalmente consistente anseios do governo federal, dos governos estaduais, do setor privado e da Petrobras. Por isso, a tramitação da Lei do Gás enriquece o cenário parlamentar brasileiro e enobrece o esforço de todos os interessados em sua aprovação. Para nós que participamos diretamente do processo fica a sensação de dever cumprido. Mas, além de evidenciar a maturidade política brasileira, a lei é fundamental por aportar evoluções ao mercado. A introdução das definições do consumidor livre, autoprodutor e auto-importador de gás no texto legal permitirá que grandes empreendedores possam construir gasodutos para uso próprio, bem como o desenvolvimento de um mercado livre de gás, nos moldes do existente no setor elétrico.

É importante ressaltar que essas definições também precisam ser incluídas nas regras dos estados, já que estes são responsáveis pelo setor de distribuição. Além disso, precisam ser incluídas nos contratos de concessão das distribuidoras. Nesse sentido, a nova legislação apresenta um alinhamento da visão econômica do setor sem invadir a competência dos estados, com clara definição das figuras jurídicas e respeito à Constituição.

O desenvolvimento do mercado livre de gás também deve ser estimulado pela possibilidade, prevista na lei, de compartilhamento dos gasodutos de transporte. Uma mostra disso é que os gasodutos existentes e em fase de licenciamento ambiental terão dez anos de exclusividade de uso por quem os construiu. Passada essa fase e havendo disponibilidade, outros transportadores terão o direito de usar a infra-estrutura, remunerando o proprietário das instalações e eventualmente vendendo o gás diretamente para grandes consumidores.

Isso deve estimular o ingresso de novos investidores no setor de transporte, assim como as novas regras para construção de novos gasodutos. A lei prevê que a construção de gasodutos que envolvem acordos internacionais ou interesses de um único usuário deve ser regida por autorização, enquanto os dutos de interesse público passarão a ser motivos de concessões. Semelhante ao regime adotado no segmento de transmissão de eletricidade, esse modelo de concessões deve garantir a entrada de novos agentes no segmento, colocando fim ao monopólio que, na prática, a Petrobras hoje detém sobre o sistema de transporte de gás.

Para que tudo isso funcione, no entanto, é imperioso que a atuação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) seja pautada por um controle rigoroso de todas as atividades, as quais precisam ser fiscalizadas, para coibir condutas anticompetitivas e fomentar a concorrência saudável no setor.

Além disso, a entrada em vigor do marco regulatório depende de sua regulamentação. A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deve acompanhar de perto esse processo, de modo a garantir que todos os avanços incluídos na lei sejam preservados e mais bem detalhados. A expectativa é que os agentes do setor também continuem participando de maneira pró-ativa das discussões.

O trabalho continua, mas já podemos comemorar. Afinal, a Lei do Gás reúne as bases para estimular o desenvolvimento consistente de toda a cadeia do gás natural e cria um ambiente favorável para a atração de novos investidores. Eis aí um raro caso em que a síntese das discussões pode resultar em um ponto de equilíbrio a favor da sociedade.

Deputado federal pelo PPS-SP, Arnaldo Jardim integra a Comissão Especial da Lei do Gás e é membro da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. www.arnaldojardim.com.br

Greenpeace critica viés termelétrico e nuclear do PDE 2008-2017

Entidade ambiental propõe medidas de eficiência energética e de incentivo às fontes renováveis. ONG internacional pede maior prazo para consulta pública

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Meio Ambiente
18/02/2009

O Greenpeace divulgou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, sua avaliação do Plano Decenal de Expansão da Energia 2008-2017. A Organização Não Governamental do meio ambiente se mostrou crítica ao peso dado aos empreendimentos termelétricos e nucleares em detrimento das fontes renováveis - eólica, solar, biomassa e PCHs - e de medidas de eficiência energética. Além disso, pediu a realização de audiências públicas para discutir o PDE concomitante a prorrogação do prazo da consulta previsto para encerrar em 28 de fevereiro.

"O plano decenal de expansão elétrica peca ao negligenciar a redução da demanda por meio de medidas mais agressivas de eficiência energética, optando por quase triplicar a emissão de gases de efeito estufa na matriz elétrica", afirma no relatório "Crítica ao Plano Decenal de Expansão da Energia 2008-2017". Para o Greenpeace, essa decisão é um "contra-senso" em um momento no qual o mundo discute como interromper o crescimento das emissões até 2020 e zerá-las até 2050.

O grupo ressalta que "o plano, em nenhum momento, faz referência à 'eficiência energética'" e nem estabelece metas para a área. Com isso, prossegue, destoa do "Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que propõe, em 2030, uma meta de redução de 10% do consumo de eletricidade" através da eficiência energética. O Greenpeace avalia que a eficiência "oferece múltiplos efeitos positivos", tanto em termos socioambientais, quanto econômicos.

A proposta do grupo internacional é uma redução de 20% do consumo de energia em 2030, por meio de medidas de eficiência. "O plano também é omisso em incentivar o uso de mecanismos tributários para incentivar o consumo de equipamentos mais eficientes", diz a ONG. O relatório de avaliação lembra que o PDE prevê aumento de 61% no consumo total de energia no país de 434 TWh, em 2008, para 700 TWh, em 2017.

No trato da expansão do parque gerador, o grupo se mostra preocupado com a entrada do grande volume de térmicas a óleo combustível na próxima década. Dos 15.305 MW termelétricos, que entrarão em operação no período, 7,5 mil MW são à base de óleo combustível. O forte viés térmico fará as emissões de gases do efeito estufa aumentarem 172% no setor elétrico para 39,3 milhões de toneladas de CO2.

"A geração de energia contribui com 23% dessas emissões e o país tem um enorme potencial de redução destes índices através da expansão da geração a partir de energias renováveis descentralizadas e do aumento de metas de eficiência energética", aponta na crítica ao plano. Outra vertente muito criticada pelo grupo é a nuclear. "A retomada da expansão nuclear brasileira é um total contra-senso, tanto pelos problemas mundiais de fiscalização e manejo de resíduos, quanto pelos enormes riscos à sociedade e ao ambiente", continua.

Por outro lado, o grupo também não vê com bons olhos a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. "A construção destas usinas deverá resultar em uma série de impactos ambientais e sociais, como a inundação de reservas indígenas e unidades de conservação", frisa o grupo. Uma alternativa para o Greenpeace é o incentivo às fontes alternativas como PCHs, parques eólicos e solar cujos potenciais o país estaria subaproveitando no PDE 2008-2017.

"O plano ignora o verdadeiro potencial das fontes de energia renováveis modernas no Brasil", observa. Para o Greenpeace, o país deveria aprovar leis de incentivo às fontes renováveis de energia. Além disso, propõe aumentar a participação de energia renováveis para 30% da matriz energética em 2030, executando as grandes hidrelétricas. Para ler a integra da crítica do Greenpeace, clique aqui.

Eólicas: Brasil precisa rever índice de nacionalização para atrair investidores

Atualmente, a indústria instalada só consegue atender um índice de nacionalização de 60%. Impostos são outro entrave aos equipamentos brasileiros

Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Negócios
20/02/2009

O índice de nacionalização de 70% exigido no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia, preocupa os especialistas, que não querem que índice semelhante seja estabelecido no edital do leilão de eólica, com previsão para acontecer ainda este ano. Segundo eles, ainda existem poucas empresas no Brasil para atender a demanda dos empreendimentos. Além disso, a tributação, quando se compra os equipamentos no país, é muito alta, fazendo com que esses equipamentos fiquem mais caros do que os importados. A esperança, de acordo com eles, é que a partir desse primeiro leilão de eólicas, o governo desenvolva um plano para o setor de longo prazo e, assim, consiga atrair empresas fabricantes para o Brasil.

Para a advogada do escritório L.O Baptista Advogados, Daniela Santos, atualmente, uma das saídas seria flexibilizar esse índice de nacionalização. "No momento que a gente vive agora, é nebuloso impor um índice de nacionalização tão alto", disse. Segundo ela, seria razoável diminuir esse índice para que as empresas encontrem preços menores no exterior. Além disso, para Daniela, seria fundamental que o governo sinalizasse que a fonte eólica terá outros leilões e que é um mercado crescente no país. "O governo precisa dar segurança para as empresas de que essa energia está no mix da matriz energética, para conseguir atrair outros fabricantes", explicou a advogada.

Quanto a tributação interna, Daniela afirmou que é realmente alta, mas que isso não é exclusivadade do setor elétrico. De acordo com ela, todos os setores ligados à energia se ressentem muito. "A não ser que tenhamos uma reforma tributária que consiga reduzir os tributos de forma considerável, isso é algo que teremos que lidar", avaliou. No entanto, segundo ela, uma redução na tributação, em um momento delicado como atual, devido à crise financeira, daria um novo fôlego na indústria.

O diretor-executivo da Associação Nacional dos Consumidores de Energia, Lúcio Reis, afirma que hoje as indústrias instaladas no país só conseguem atender a um índice de nacionalização máximo de 60%. "Hoje, a fabricação nacional pode chegar até 60%. Só que a compra dos equipamentos e materiais com este índice inviabiliza o projeto porque com a carga tributária brasileira o projeto fica mais caro e, consequentemente, não decola", afirmou o executivo.

O número que os empreendedores em eólicas entendem que hoje estaria equilibrado, de acordo com Reis, entre o índice de nacionalização e custo do empreendimento é de 40% a 50% de nacionalização. Ele disse ainda que outro pleito do setor está na implantação de uma política energética com a inclusão de uma programa de implantação de eólicas de uma forma regular e periódica. "É necessário que haja um programa de governo com a execução de leilões, elaborado com uma certa periodicidade, para que fabricantes estrangeiros tenham confiança para vir se instalar no Brasil.

Reis explicou que os fabricantes estrangeiros apostaram no mercado americano, mas, com a crise financeira, eles estão querendo minimizar seus riscos, investindo em outros países. "É o momento de trazermos os fabricantes, reduzirmos a carga tributária e, aí sim, ter um alto índice de nacionalização", comentou. Ele disse ainda que somente no ano passado os Estados Unidos implantaram cerca de 5.300 MW só de usinas eólicas, o que representa cerca de 50% a mais de todas as fontes implantadas no Brasil no mesmo ano.

Desafios - A advogada Daniela Santos salienta que, além da questão do índice de nacionalização e da tributação, há outros desafios na elaboração do edital do leilão de eólicas. Para ela, o primeiro desafio se refere ao preço. "Se você quer que a indústria se desenvolva, é preciso dar a ela oportunidades, ou seja, um preço que não seja tão barato. Não adianta colocar um preço muito baixo, porque as empresas não vão se interessar", frisou Daniela.

Os outros aspectos, de acordo com ela, se referem ao custo do fio, ou seja, quanto vai custar e quem vai fazer a ligação; e ao início de suprimento, analisando se a proposta, que inicialmente prevê a entrada da energia no sistema em janeiro de 2012, será um prazo suficiente para os agentes, considerando que podem haver atrasos em licenciamento ambiental. "Mesmo que esses empreendimentos sejam de baixo impacto, sempre temos que contar com esses atrasos no licenciamento", afirmou a advogada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Descoberta forma de produzir hidrogênio sem gasto de energia

Cientistas descobriram uma nova forma de produzir hidrogênio, considerado o combustível do futuro por ser capaz de gerar eletricidade em células a combustível sem gerar qualquer tipo de poluente. A nova técnica produz hidrogênio puro sem consumir energia.

Produção de hidrogênio

Hoje, praticamente a totalidade do hidrogênio é produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil como o petróleo, o que anula seus benefícios ambientais, além de sair caro demais.

Os pesquisadores das universidades Penn State e Virginia, nos Estados Unidos, descobriram como produzir hidrogênio mergulhando aglomerados de átomos de alumínio em água. Os aglomerados quebram as moléculas de água, produzindo hidrogênio e oxigênio.

A quebra da molécula de água também pode ser feita por meio de eletrólise, mas o processo consome mais energia do que produz.

Aglomerados de alumínio

Os pesquisadores descobriram que, além das propriedades eletrônicas dos aglomerados de alumínio, o seu formato é essencial na reação com a água.

"Nossas pesquisas anteriores sugeriam que eram as propriedades eletrônicas que governavam tudo sobre esses aglomerados de alumínio, mas este novo estudo mostrou que é o arranjo dos átomos no interior dos aglomerados que faz com que eles quebrem as moléculas de água," explica o professor A. Welford Castleman Jr.

Reação espontânea

A molécula de água liga-se entre dois pontos do aglomerado de alumínio, com um dos pontos funcionando como um ácido de Lewis - um centro positivamente carregado que aceita um elétron - e o outro ponto funcionando como uma base de Lewis - um centro negativamente carregado pronto para ceder um elétron.

O alumínio ácido de Lewis liga-se ao oxigênio da molécula de água e o alumínio base de Lewis dissocia o átomo de hidrogênio. Se o processo ocorrer uma segunda vez, envolvendo dois outros átomos de alumínio, restarão dois átomos de hidrogênio, que se ligarão para formar uma molécula de hidrogênio na forma de gás (H2).

Produção de hidrogênio sem gasto de energia

O hidrogênio é produzido a temperatura ambiente. "A capacidade para produzir hidrogênio a temperatura ambiente é importante porque significa que nós não usamos nenhum tipo de calor ou energia para disparar a reação," afirmam os pesquisadores.

A descoberta é importante não apenas para a produção de hidrogênio, mas também por abrir caminho para uma nova abordagem na produção de catalisadores, que poderão ser desenvolvidos para quebrar outras moléculas.

Reciclagem dos aglomerados de alumínio

Agora os pesquisadores querem descobrir como reciclar os aglomerados de alumínio para que eles possam ser reutilizados continuamente, abrindo a possibilidade de uso prático da nova tecnologia.

A reciclagem consistirá em uma forma para retirar o grupo hidroxila (OH-) que fica ligado aos aglomerados de alumínio depois que a molécula de hidrogênio é liberada.

Bibliografia:
Complementary Active Sites Cause Size-Selective Reactivity of Aluminum Cluster Anions with Water
Patrick J. Roach, W. Hunter Woodward, A. W. Castleman, Jr., Arthur C. Reber, Shiv N. Khanna
Science
January 2009
Vol.: 323. no. 5913, pp. 492 - 495
DOI: 10.1126/science.1165884

Memória de nanotubos melhora 100.000 vezes e supera Flash

Os nanotubos de carbono já foram utilizados para a construção de transístores antes, em experimentos que abriram os primeiros caminhos para a eletrônica orgânica. Transistores de nanotubos já foram utilizados até mesmo para a construção de um nanorrádio.

A viabilização desses transistores, que se acredita poderem substituir os transistores de silício, tem tropeçado em técnicas complicadas para fabricação dos nanotubos, com avanços rumo à sua produção em larga escala tendo começado a surgir apenas recentemente (veja Chips de nanotubos de carbono são demonstrados em escala industrial).

100.000 vezes mais rápido

Um novo impulso agora foi dado rumo à adoção dos nanotubos de carbono como células de memória não-volátil - que não perdem os dados na ausência de energia. O avanço é tão grande que poderá representar um novo incentivo para a tentativa de viabilizar esses componentes nanotecnológicos.

O novo transístor é 100.000 vezes mais rápido dos que seus antecessores. Os transistores de nanotubos de carbono mais promissores demonstrados até agora gastam vários milissegundos para gravar um bit. Em comparação, uma memória Flash gasta mil vezes menos tempo, efetuando suas operações na faixa dos microssegundos.


Otimização e refinamento

O transístor que acaba de ser desenvolvido pela equipe da professora Päivi Törmä, da Universidade de Tecnologia de Helsinque, grava seus bits em meros 100 nanossegundos, um tempo comparável até mesmo às memórias usadas nos computadores atuais. E esse tempo pode ser ainda menor.

"Isto é incrível, considerando que ele não passou ainda por um processo de otimização ou refinamento. O que impõe o limite atual de 100 nanossegundos não é a memória de nanotubo, mas a configuração do nosso experimento, de forma que ele poderá trabalhar a velocidades ainda maiores, nós não sabemos ainda," diz a pesquisadora.

E o experimento é outro fator encorajador, devido à sua grande simplicidade.

Escrevendo os bits

O transístor é feito a partir de um único nanotubo de carbono, nas extremidades do qual são ligados dois eletrodos. Um terceiro eletrodo, a base do transístor, fica separado do nanotubo por uma camada isolante. É este eletrodo que é usado para escrever o bit na célula de memória.

Este terceiro eletrodo recebe um pico de tensão, que força um fluxo de elétrons através da barreira isolante. Esse fluxo de corrente representa o 1 binário, podendo ser detectado porque ele faz variar a corrente que passa entre os outros dois eletrodos.

Para escrever um 0 basta enviar outro pulso de energia pela porta, para que o primeiro seja cancelado.

Óxido de háfnio

A maioria dos transistores de nanotubos de carbono anteriores usava dióxido de silício como barreira isolante. É isso o que explica a lentidão desses transistores, uma vez que demora muito para induzir uma carga elétrica nesse material.

Os pesquisadores finlandeses substituíram o dióxido de silício por óxido de háfnio, um material que ganhou fama depois que a IBM anunciou seu uso para a construção daquela que era, na época, memória mais rápida do mundo, há cerca de dois anos.

O óxido de háfnio é muito mais sensível a alterações na corrente elétrica. Além disso, sua estrutura porosa ajuda-o a capturar uma carga elétrica muito mais rapidamente, o que explica a extrema velocidade da nova célula de memória.

Próximo desafio

Além de memórias para computador, essas novas células poderão ser um concorrente superior às atuais memórias Flash, que equipam os pen-drives e outros cartões de memória.

O próximo passo da pesquisa é juntar várias dessas células individuais para construir um verdadeiro chip de memória. O experimento até agora só demonstrou o funcionamento de transistores individuais.


Bibliografia:
High-Speed Memory from Carbon Nanotube Field-Effect Transistors with High-k Gate Dielectric
Marcus Rinkio, Andreas Johansson, G. S. Paraoanu, Päivi Törmä
Nano Letters
January, 2009
Vol.: In Advance of Print
DOI: 10.1021/nl8029916

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Programa Pensando Direito seleciona projetos

9/2/2009

Agência FAPESP – O Ministério da Justiça e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lançaram chamada de projetos para o programa Pensando o Direito. As inscrições vão até o dia 13 de março. O apoio financeiro destinado para cada instituição será de até R$ 80 mil

O objetivo do programa é estabelecer parcerias com instituições públicas ou privadas para o desenvolvimento de pesquisas em dez áreas temáticas consideradas prioritárias pelo Ministério da Justiça, nas quais as instituições selecionadas desenvolverão pesquisas específicas.

As áreas contempladas serão: “Os novos procedimentos penais”, “Avaliação da nova lei de falências”, “Agências reguladoras e a tutela do consumidor”, “Concessão de crédito e a proteção do consumidor”, “O papel da vítima no processo penal”, “Medidas assecuratórias no processo penal”, “Análise das justificativas para a produção de normas penais”, “Estatuto da Criança e do Adolescente: apuração do ato infracional atribuído a adolescente”, “Conferências nacionais, participação social e processo legislativo” e “Juntas comerciais”.

As instituições consideradas elegíveis são faculdades e universidades públicas e privadas, fundações mantenedoras, de apoio e amparo à pesquisa, centros de pesquisa e entidades não-governamentais que comprovadamente atuem ou realizem pesquisas relativas às áreas temáticas propostas.

Para participar da seleção, as instituições deverão apresentar projeto de pesquisa em uma das áreas indicadas e uma equipe de pesquisa, que deverá ser coordenada por profissional com título de doutor em área relacionada com a área temática da candidatura.

Os projetos selecionados deverão ser concluídos até o dia 20 de março de 2010.

Mais informações: www.mj.gov.br/sal