segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Greenpeace critica viés termelétrico e nuclear do PDE 2008-2017

Entidade ambiental propõe medidas de eficiência energética e de incentivo às fontes renováveis. ONG internacional pede maior prazo para consulta pública

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Meio Ambiente
18/02/2009

O Greenpeace divulgou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, sua avaliação do Plano Decenal de Expansão da Energia 2008-2017. A Organização Não Governamental do meio ambiente se mostrou crítica ao peso dado aos empreendimentos termelétricos e nucleares em detrimento das fontes renováveis - eólica, solar, biomassa e PCHs - e de medidas de eficiência energética. Além disso, pediu a realização de audiências públicas para discutir o PDE concomitante a prorrogação do prazo da consulta previsto para encerrar em 28 de fevereiro.

"O plano decenal de expansão elétrica peca ao negligenciar a redução da demanda por meio de medidas mais agressivas de eficiência energética, optando por quase triplicar a emissão de gases de efeito estufa na matriz elétrica", afirma no relatório "Crítica ao Plano Decenal de Expansão da Energia 2008-2017". Para o Greenpeace, essa decisão é um "contra-senso" em um momento no qual o mundo discute como interromper o crescimento das emissões até 2020 e zerá-las até 2050.

O grupo ressalta que "o plano, em nenhum momento, faz referência à 'eficiência energética'" e nem estabelece metas para a área. Com isso, prossegue, destoa do "Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que propõe, em 2030, uma meta de redução de 10% do consumo de eletricidade" através da eficiência energética. O Greenpeace avalia que a eficiência "oferece múltiplos efeitos positivos", tanto em termos socioambientais, quanto econômicos.

A proposta do grupo internacional é uma redução de 20% do consumo de energia em 2030, por meio de medidas de eficiência. "O plano também é omisso em incentivar o uso de mecanismos tributários para incentivar o consumo de equipamentos mais eficientes", diz a ONG. O relatório de avaliação lembra que o PDE prevê aumento de 61% no consumo total de energia no país de 434 TWh, em 2008, para 700 TWh, em 2017.

No trato da expansão do parque gerador, o grupo se mostra preocupado com a entrada do grande volume de térmicas a óleo combustível na próxima década. Dos 15.305 MW termelétricos, que entrarão em operação no período, 7,5 mil MW são à base de óleo combustível. O forte viés térmico fará as emissões de gases do efeito estufa aumentarem 172% no setor elétrico para 39,3 milhões de toneladas de CO2.

"A geração de energia contribui com 23% dessas emissões e o país tem um enorme potencial de redução destes índices através da expansão da geração a partir de energias renováveis descentralizadas e do aumento de metas de eficiência energética", aponta na crítica ao plano. Outra vertente muito criticada pelo grupo é a nuclear. "A retomada da expansão nuclear brasileira é um total contra-senso, tanto pelos problemas mundiais de fiscalização e manejo de resíduos, quanto pelos enormes riscos à sociedade e ao ambiente", continua.

Por outro lado, o grupo também não vê com bons olhos a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. "A construção destas usinas deverá resultar em uma série de impactos ambientais e sociais, como a inundação de reservas indígenas e unidades de conservação", frisa o grupo. Uma alternativa para o Greenpeace é o incentivo às fontes alternativas como PCHs, parques eólicos e solar cujos potenciais o país estaria subaproveitando no PDE 2008-2017.

"O plano ignora o verdadeiro potencial das fontes de energia renováveis modernas no Brasil", observa. Para o Greenpeace, o país deveria aprovar leis de incentivo às fontes renováveis de energia. Além disso, propõe aumentar a participação de energia renováveis para 30% da matriz energética em 2030, executando as grandes hidrelétricas. Para ler a integra da crítica do Greenpeace, clique aqui.

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